A desvalorização cambial no primeiro semestre de 2001, de 16%, provocou um aumento da dívida pública de R$ 42 bilhões, segundo o chefe do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central, Sérgio Goldenstein. Somente a variação cambial representou um impacto de R$ 22 bilhões na dívida. O Banco Central também fez uma emissão líquida de R$ 18 bilhões em papéis cambiais no período, o que, somados aos juros, resultou no aumento de R$ 42 bilhões.
Do total de R$ 18 bilhões, R$ 8,4 bilhões foram emitidos somente no mês de junho. O programa de fortalecimento das instituições financeiras federais também elevou o estoque da dívida pública em junho: foi responsável por um aumento de 3,3% do total.
A emissão de títulos para restruturação dos bancos federais somou R$ 18,4 bilhões no mês passado. A emissão de títulos cambiais, no total de R$ 7,3 bilhões, foi minimizada pela valorização do real de 2,33% no período.
O coordenador-geral da dívida pública, Paulo Valle, explicou que esse índice foi registrado porque o Tesouro Nacional mudou o critério de avaliação da variação cambial, passando a utilizar os dados do último dia do mês.
A dívida pública federal interna em poder do mercado somou R$ 580,83 bilhões no final do mês de junho, informaram ontem o Banco Central e a Secretaria do Tesouro Nacional. Isso representa um aumento de 4,74% em relação ao estoque registrado no fim do mês de maio, quando a dívida totalizou R$ 554,56 bilhões. O total de títulos públicos que venceram no mês de junho foi de R$ 36,6 bilhões, enquanto que a emissão de títulos realizada no período foi de R$ 39,2 bilhões, o que resultou em uma emissão líquida de R$ 2,6 bilhões.
Os bancos nacionais foram, novamente, os maiores compradores de títulos públicos no mês de junho. Segundo a nota sobre o comportamento da dívida pública, as instituições financeiras com sede no País adquiriram em junho 70,36% das ofertas primárias de títulos públicos. Em maio, os bancos nacionais adquiriram 70,04% do total de títulos ofertados.

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