Os sinais de alarme acumulados nesses últimos dias como consequência da crise monetária brasileira poderão levar os governos e bancos europeus a agir rapidamente, esta semana, para evitar uma maior degradação da economia na Eurolândia - os 11 países da zona do euro.
Uma das medidas seria decidida pelo Banco Central europeu, reduzindo ainda mais as taxas de juros, já mantidas a um nível ‘‘historicamente baixo’’, apenas 3%. Hoje, há consenso de que essa medida é incontornável não devendo tardar. A crise financeira do Brasil e as anteriores da Ásia e Rússia, são apontadas como as causas da desaceleração da economia da União Européia (UE).
A previsão de crescimento da zona do euro de 2,2% em 1999 está sendo revista pelos técnicos da Comissão Européia. Isso em razão do temor de que a crise financeira possa propagar-se para outros países latino-americanos, principalmente a Argentina.
As recentes declarações do presidente Carlos Menem e do presidente do Banco Central, Pedro Pou, favoráveis a uma um tratado de ‘‘associação monetária bilateral’’, isto é uma dolarização da economia, são interpretadas na Europa como um fator suplementar de que a crise poderá alastrar-se para o continente.
A elevação das taxas de juros decidida pelo governo brasileiro, sob influência do Fundo Monetário Internacional (FMI), é citada como outro sinal preocupante da crise, tida como uma má resposta às dificuldades econômicas do País.
A partir de hoje, não só os mercados financeiros (apesar do feriado paulista), mas os representantes dos bancos centrais e dos governos europeus vão prestar ainda mais atenção na evolução da situação desses dois países.
Esses funcionários dizem que o engajamento dos bancos europeus no Brasil de US$ 38 bilhões, mais do que o dos bancos norte-americanos, US$ 18 bilhões, evidencia que uma crise nesse país repercutirá no crescimento da UE.
Nos últimos anos, o nível de investimentos diretos europeus foi dos mais elevados, por intermédio de inúmeros projetos industriais.

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