Crise aumenta procura por vôos fretados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A crise aérea que atinge o Brasil desde o segundo semestre do ano passado provocou um aumento pela procura de vôos fretados. De acordo com dados da Infraero, houve um crescimento de 14,76% no número deste tipo de vôo no primeiro semestre deste ano comparado com o mesmo período do ano passado, considerando pousos e decolagens domésticos e internacionais no Aeroporto Internacional Afonso Pena, localizado em São José dos Pinhais. No primeiro semestre de 2006 foram 535 vôos contra 614 no primeiro semestre deste ano. Neste período, os vôos domésticos passaram de 331 para 414 e os internacionais tiveram uma pequena queda de 204 para 200.
De acordo com dados da Infraero, no ápice da crise, o aumento dos vôos fretados foi ainda mais significativo. No primeiro semestre de 2006 foram 535 vôos e no segundo semestre do ano passado 953, o que representa um aumento de 78,13%. Ainda segundo a Infraero, as empresas que oferecem vôos fretados estão sujeitas às normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A empresa JetSul, que opera com vôos fretados, teve um aumento de 15% no número de vôos desde o início da crise aérea até agora. O diretor da companhia, Leonardo Cordeiro, disse que antes de setembro do ano passado, a empresa fazia dois vôos diários. Agora são três a quatro por dia.
A JetSul também atua com comércio de aeronaves seminovas. De acordo com ele, houve um aumento de 30% na procura pela compra de aeronaves. O preço de um avião varia de acordo com a condição técnica. Um jato com capacidade para seis a sete passageiros custa entre US$ 1,5 milhao e US$ 3 milhões e um turbo-hélice entre US$ 900 mil e US$ 3 milhões. Este segundo tipo de avião pode fazer pousos e decolagens em pistas de terra, grama e cascalho e é indicado para vôos mais curtos. Cada avião tem um plano de manutenção mas, para uma aeronave que faz 30 horas de vôo por mês o custo para manter é de US$ 60 mil a US$ 100 mil por ano.
Cordeiro acredita que, para quem faz mais que 30 horas de vôo por mês, compensa ter a própria aeronave. ''O avião não é um bem depreciável como um carro'', disse. Ele destacou ainda que houve uma mudança de público que utiliza vôos fretados. Além de empresários e executivos, hoje são atendidos profissionais liberais que se reúnem em grupos para fazer um vôo, o chamado fretamento compartilhado e há pessoas que têm procurado o serviço para vôos de lazer.
O fretamento de um modelo King Air 350, 2006, com capacidade para nove
passageiros para um vôo Curitiba/São Paulo/Curitiba é de R$ 9.800,00, o que representa por passageiro o custo de R$ 1.088,00 ida e volta. Um vôo comercial Curitiba/São Paulo/Curitiba sai cerca de R$ 300. Neste caso, o vôo fretado é 262% mais caro. Cordeiro disse que a diferença de preço pode ser menor se for considerado o fator de que o empresário pode ir e voltar no mesmo dia sem custo de hotel. A JetSul faz vôos nacionais e internacionais mas os destinos mais procurados são Curitiba/São Paulo, interior do Paraná, Brasília, Belo Horizonte e Goiânia.
Segundo ele, entre as vantagens dos vôos fretados estão tranquilidade de embarque, vôos com partidas e chegadas nos horários previstos, bagagem sem extravio, segurança e a possibilidade de usar qualquer um dos 5 mil aeroportos do País, contra cerca de 200 cidades atendidas pela aviação comercial. A JetSul administra 20 aeronaves entre próprias e de terceiros. Em 2005, o setor de vôos fretados cresceu 17%. No ano passado, a taxa ficou em 12% e, nos primeiros seis meses de 2007, o aumento foi de 11%.
Na empresa Weiss o impacto foi diferente. Segundo o gerente geral Hélcio Gonçalves Vilarinho, os vôos fretados concorrem com as promoções das companhias aéreas comerciais. De acordo com ele, não houve aumento de procura na empresa. ''Os clientes costumam buscar os vôos fretados para locais nos quais não há aviação comercial'', disse.


