A crise asiática derrubou o preço das commodities, que são os mais baixos desde o início da década de 90. O continente asiático sempre foi o grande mercado dos Estados Unidos e a recessão econômica naqueles países está interferindo bastante na comercialização de grãos, que deverá refletir negativamente em todo o mundo, avaliou o analista da Cotriguaçu, Fernando Muraro, que está no estado de Iowa, maior produtor de soja e trigo dos EUA.
Para Muraro, a grande incógnita do momento que está preocupando o mercado de agribusiness norte-americano se refere ao desfecho da crise asiática.
Segundo Muraro, o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado ontem, revelou que o preço do milho caiu de US$ 98 a tonelada, que é a média histórica da década de 90, para US$ 82 a tonelada. A cotação do trigo caiu de US$ 110 para US$ 95 nesse período. A soja, cuja média histórica de preço é US$ 230 a tonelada, caiu para US$ 205. O comportamento dos preços é um sintoma do que será o mercado neste segundo semestre e durante todo o ano de 1999, acredita o analista.
Isso porque além da recessão econômica dos países asiáticos que provocou a redução no consumo e nas importações de grãos, o mundo está há 45 dias do início de uma colheita recorde de soja nos Estados Unidos, que deverá ser de 76,9 milhões de toneladas. Esse desempenho vai superar a safra do ano passado, de 74,2 milhões de toneladas, que também foi recorde. Outro agravante é a China, que também está reduzindo a importação de soja dos EUA. De acordo com o relatório do USDA, até o mês de julho a previsão da China era importar 3,7 milhões de toneladas de grãos e esse mês, ajustou a previsão para 3,3 milhões de toneladas, reduzindo a importação em 400.000 toneladas, destacou Muraro.
Além disso, os estoques de soja em todo o mundo estão elevados em função da supersafra do ano passado. O Brasil mantém estoques de 11,5 milhões de t, a Argentina com 8,5 milhões de toneladas, os Estados Unidos, com 5,8 milhões de toneladas e com a proximidade da safra norte-americana de mais 77 milhões de t, são 102,8 milhões de toneladas de soja que estarão disponíveis até o final de 1988. No ano passado, nessa mesma época, esse índice somava 88 milhões de toneladas de soja.
‘‘A elevação dos estoques explica a morosidade das exportações de soja em grão e farelo no Brasil’’, disse Muraro. Segundo o analista, daqui para frente os exportadores brasileiros terão que competir no mercado internacional com a safra norte-americana, que é um inibidor de preços, e com a disputa de outros países que mantém estoques do grão. ‘‘Esses fatores apontam para um cenário nada animador para a comercialização da safra 98/99’’, previu o analista.ArquivoExceçãoPor enquanto, a laranja é um dos poucos itens não afetados pela criseVânia Casado

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