O agravamento da crise asiática está provocando a queda nas exportações de fio de seda. O Japão, que comprava 64% das exportações, vai reduzir essa participação para 36%, este ano. As indústrias estão com 3.500 toneladas de casulo em estoques, sem mercado. Para evitar uma crise ainda maior, as indústrias estão propondo uma redução de 20% no preço do casulo verde pago ao sericicultor, informou o diretor da Kanebo Silk e secretário da Associação Brasileira de Fiação de Seda (Abraseda), Shizuo Yoshida.
Os sericicultores não aceitaram a proposta e ameaçam suspender a produção. Em Nova Esperança, município que mais produz casulo verde no Paraná, dos 1.160 barracões existentes, 150 já foram fechados. Eles argumentam que o preço pago, de R$ 2,43 o quilo, já está inferior aos custos de produção (R$ 2,82) puxados pela alta no preço dos insumos. A lavoura não têm condição de absorver mais prejuízos. Desde o Plano Real, o preço do esterco de galinha, principal adubo das amoreiras, aumentou 100%; adubo químico, 50% e a mão-de-obra dos diaristas subiu de R$ 3,65 para R$ 8,00, disse o técnico da Emater de Nova Esperança, Valter Olivatti. A indústria está propondo pagar R$ 2,00 o quilo do casulo verde.
Para evitar o impasse, o deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR) se comprometeu em reivindicar a implantação do Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) na compra de casulo verde. Assim, a indústria pagaria os R$ 2,00 que se propõe a pagar e o governo federal entraria com subsídio no valor de R$ 0,43 para atender às necessidades básicas dos produtores. O deputado vai também reivindicar junto ao governo federal a alocação de recursos para que as indústrias possam recorrer ao EGF, ‘‘o que daria um fôlego maior para elas carregarem o estoque’’, disse Yoshida.
As indústrias estão trabalhando com capacidade ociosa de 23%. Os empresários não estão otimistas com os efeitos do mercado asiático, que consome 95% da produção brasileira. O maior concorrente do Brasil é a China que custo de produção menor. Se o mercado de fio de seda é restrito para as indústrias, conforme Yoshida, os sericicultores também enfrentam restrição. No Paraná, apenas três indústrias produzem o fio - Bratac, Kanebo Silk e Cocamar - e empregam 2.000 trabalhadores.
Para o técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento Maurício Lunardon, os produtores estão se descapitalizando. Conseguem no máximo comprar os insumos e pagar mão-de-obra. Valter Olivatti, da Emater de Nova Esperança, lamentou o fato de o Pronaf não enquadrar os sericicultores para financiamento de custeio.‘‘Isso porque a atividade é classificada como pecuária e os teóricos do Pronaf acreditam que tudo que é pecuária é boi e, por isso, não podem atender à sericicultura, que é uma atividade familiar’’, destacou.ArquivoEstoqueSem desovar estoques, indústrias reduzem preços da matéria-primaVânia Casado

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