ArquivoExpectativaEnquanto o quadro internacional não muda, produtores evitam vender A crise asiática já está provocando os primeiros reflexos no mercado internacional de soja. As cotações na Bolsa de Chicago que variavam entre US$ 7 a US$ 7,20/bushel em dezembro, para entrega em maio, caíram para US$ 6 a US$ 6,70 o bushel neste início de mês, reagindo ontem. No mercado interno, a soja remanescente da safra 96/97 está sendo negociada entre R$ 18,00 e R$ 18,50/saca no Paraná, para entrega imediata. A soja da safra 97/98 com entrega prevista para março e abril está sendo negociada a R$ 15,40. E na Bolsa de Chicago, entre US$ 13 e US$ 13,20.
Essa queda nos preços é uma combinação entre a retração no consumo que está sendo esperada nos países da Ásia - que vinham impulsionando o crescimento da demanda mundial do grão desde o início da década de 90 -, e a perspectiva de uma safra recorde de soja da América Latina que deverá atingir 50 milhões de toneladas. A avaliação é de Paulo Molinari, analista da agência Safras e Mercados, de Curitiba.
O operador de mercado da Cotrefal, Pedro Szpak, concorda que o futuro da demanda mundial de soja ficou comprometido com a crise asiática. Segundo ele, alguns países da Ásia não estão conseguindo crédito para financiar as compras de alimentos.
O desenrolar da crise asiática será determinante na forma de comercialização da soja no panorama interno, a partir de fevereiro. Segundo Molinari, ao contrário do ano passado quando a comercialização de soja se concentrou no período pós-colheita, esse ano a comercialização poderá ser bem mais lenta. Isso porque o produtor financiou a safra com recursos próprios, está com poucas dívidas e tudo indica que não vai precisar vender a safra de uma vez, devendo esperar por boas oportunidades. Essa expectativa pode ser alterada em função do acirramento da crise asiática e da divulgação das intenções da safra de soja dos EUA, no final de março.
Outro indicativo de que a comercialização da soja poderá ser mais lenta são os poucos negócios realizados até agora com soja verde (venda antecipada). No ano passado, 40% da produção no Paraná havia sido vendida antecipadamente enquanto esse ano apenas 10% da comercialização foi antecipada. Mas o que vai definir o perfil da comercialização, segundo Molinari será a divulgação do relatório do USDA sobre as intenções de plantio da safra dos EUA.
Segundo Molinari o mercado asiático representa um importante mercado para as exportações brasileiras de soja e derivados, sendo que uma recessão naquela região poderá ter reflexos no Brasil. Para se ter idéia, o país exportou até novembro de 97, 9,5 milhões de t de farelo. Desse total, 1,6 milhão de t foram exportadas para os países da Ásia, sendo 980 mil t para a China, 261 mil t para o Japão e 461 mil t para a Tailândia.

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