Crise argentina representa 81,8% da queda de exportações
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quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Agência Estado 
Brasília A retração da economia da Argentina e a redução dos preços dos produtos no mercado internacional foram os responsáveis pelo comportamento decrescente das exportações nos sete primeiros meses deste ano. É o que aponta boletim divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior sobre o resultado da balança comercial de janeiro a julho.
O documento mostra que a diminuição das exportações para Argentina representou 81,8% da redução total das vendas externas de janeiro a julho. Nesse período, a balança registrou um superávit de US$ 3,806 bilhões, mas as exportações caíram 7,7% em relação a 2001. O saldo comercial foi sustentado pela queda de 18,9% das importações.
De acordo com o boletim, as exportações do Brasil para Argentina encolheram 64,2%, o equivalente a uma perda de receita de US$ 2,142 bilhões. Nos sete primeiros meses do ano passado, as exportações para Argentina somaram US$ 3,338 bilhões; nesse ano, caíram para US$ 1,196 bilhão. Como resultado, a participação do mercado argentino no total da pauta de exportação brasileira caiu de 9,8%, em 2001, para 3,8% de janeiro a julho desse ano.
Manufaturados Os dados mostram que, se não fosse o ''efeito Argentina'', as exportações totais do Brasil teriam caído apenas 1,6% no período. O setor de manufaturados foi o mais afetado pela crise na Argentina. As vendas de produtos manufaturados para o país vizinho caíram 66,2% de janeiro a julho em relação ao mesmo período do ano passado. O tombo foi de US$ 1,997 bilhão US$ 3,02 bilhões em 2001 para US$ 1,02 bilhão em 2002.
Os manufaturados representam a maior categoria de produtos de exportação para Argentina, representando 85% das vendas totais para esse mercado. Excluindo a retração das vendas para a Argentina, as exportações totais de manufaturados do Brasil cresceram 1,7%.
O boletim aponta também que o setor de semimanufaturados foi o mais afetado pela redução dos preços internacionais. De janeiro a julho deste ano, os preços dos produtos semimanufaturados vendidos pelo Brasil no exterior caíram 9,3% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a quantidade exportada teve um aumento de 5,1%. Os preços dos produtos básicos sofreram nesse período comparativo uma queda de 7,1% para um aumento de quantidade de 0,1%.
Os preços dos manufaturados caíram 4,6% e a quantidade vendida desses produtos teve uma redução de 4,8% de janeiro a julho. No total, o chamado ''índice de preços'' dos produtos brasileiros tiveram uma queda de 6,2%, enquanto o ''índice de quantum'' apresentou redução de 1,9% de janeiro a julho.


