As operações de venda de trigo argentino para o Brasil foram suspensas ontem, informou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Roland Gouth. As traders exportadoras da Argentina já vinham prorrogando a venda do produto para o Brasil, há uns 10 dias com medo da desvalorização do peso. Ao esperar pela desvalorização, as traders podem obter mais pesos pelo mesmo produto, explicou Nelson Costa, assessor da Ocepar.

Com a crise, os donos de moinhos brasileiros estiveram o dia inteiro colados à Internet à espera de um fato novo que ponha fim ao caos que se instalou naquele País. A preocupação do setor é com os estoques, suficientes apenas para 30 dias de consumo. Se a crise argentina não tiver um desfecho rápido, os moinhos brasileiros terão que comprar o trigo dos Estados Unidos ou Canadá, que é mais caro e a burocracia é maior.

Com isso, as operações de compra podem se efetivar num período que supera os 30 dias de estoque dos moinhos nacionais. A situação pode ficar pior para os moinhos dos Estados do Rio de Janeiro para cima, que dependem essencialmente do trigo importado. Na região Sul, os moinhos ainda se abastecem da produção nacional, diz Gouth.

Para o economista do Ipardes, Gilmar Lourenço, a crise argentina preocupa à medida que o fluxo de investimentos externos para o Mercosul podem ficar comprometidos. Consequentemente, os negócios previstos no Paraná para atingir o Mercosul podem entrar em compasso de espera. Conforme levantamento do Ipardes, no período janeiro a outubro, as exportações do Paraná para a Argentina já caíram 17% e as importações, 19,5%.

No total, o mercado argentino representa 7,1% das exportações do Paraná e a perda desse mercado significa prejuízos para as empresas paranaenses, que têm que ser compensadas com a busca de outros mercados, o que não é fácil num cenário de recessão internacional, disse o técnico.

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