Crise aponta saídas, diz consultor
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terça-feira, 24 de março de 1998
Cláudia Lopes 
Mário CesarWanderlei Cozzo, da ABTD nacional, com Ademar Ramos, da regional-ParanáMisturando provérbios chineses a frases de filósofos e poetas como Voltaire e Fernando Pessoa, o consultor Mario Cortella fez palestra ontem em Londrina durante o seminário Gestão Competitiva, promovido pela ABTD/PR - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. O londrinense Cortella, que afirma ter aprendido as primeiras letras lendo a Folha de Londrina, é ex-secretário de Educação de São Paulo, filósofo, mestre e doutor em Educação. Ele prendeu a atenção de cerca de mil pessoas - entre empresários e estudantes - durante cerca de duas horas, traçando um paralelo entre a rotina de casa e da empresa e lembrando sobre lugares e situações vividas durante sua infância em Londrina.
Cortella afirma que, apesar de estarmos passando por momentos graves na economia mundial, estes precisam ser tranformados em momentos grávidos. Precisamos enxergar a geração de várias possibilidades durante a crise. Na gravidade do problema, temos que ver que luz este pode gerar. O consultor diz que o empresário de hoje precisa estar preparado para enfrentar as incertezas. Quem procura certeza é atropelado neste processo de internacionalização.
Ele lembra que algumas reações podem ser destrutivas como a cautela imobilizadora e a o ímpeto inconsequente. Achar que as mudanças nunca vão atingir nosso negócio e por isso ficar parado no tempo é uma atitude perigosa. Fazer tudo no ímpeto, sem organização e planejamento, também pode ser prejudicial, diz. A competência é uma valor que passou a ser coletivo, segundo Cortella. Num grupo de trabalho todos têm que ser competentes. Se um indíviduo não for, todo o grupo deixa de ser. Neste momento de transição, só sobreviverá a empresa que tiver permeabilidade educativa, ou seja, quem não sabe tem que ter espaço e clima para perguntar e quem detém o conhecimento é obrigado a repartí-lo.
O empresário tem que saber o que fazer com a tensão entre flexibilidade e rigidez, ou melhor, o que muda ou não dentro da organização, diz Cortella. Isto sem esquecer que o funcionário não é o mesmo de 20 anos atrás. Hoje precisa haver diálogo. É como dentro de casa. Ninguém impõem mais nada aos filhos. Tudo é conversado, afirma.
Os consultores Waldez Ludwig, Wanderley Pires e Roberto Palominos também fizeram palestras no seminário Gestão Competitiva. Antes do evento, a diretoria da ABTD/PR foi empossada. O presidente Ademar Ramos, conta que instalará um escritório da associação em Curitiba brevemente. O presidente nacional da ABTD, Vanderlei Cozzo, diz que existem 872 associados no País. O objetivo é promover o desenvolvimento do ser humano, usando o trabalho como ferramenta. É a educação pelo trabalho.


