Crise americana põe em alerta mercado agrícola
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
A crise americana, que tem provocado temores na economia mundial, já afeta o mercado das commodities agrícolas. Na quarta-feira, os contratos de soja e milho e grande parte dos de trigo negociados na Bolsa de Chicago (que influencia a comercialização dos grãos no mercado doméstico) fecharam no limite de baixa.
O Departamento de Agricultura dos EUA divulgou na sexta-feira passada projeções abaixo das expectativas para a safra de grãos de 2007/2008, principalmente no que diz respeito ao milho e à soja. Os estoques de passagem da safra de 2007/2008 dos grãos foram reduzidos de 315 milhões de toneladas (no relatório de dezembro de 2007) para 309 milhões de toneladas nas estimativas de janeiro de 2008. No caso do milho, os estoques finais ficaram 7% inferiores aos da estimativa anterior.
Segundo a economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Gilda Bozza, a dúvida sobre a profundidade e duração da crise dos EUA faz com que o mercado se comporte de maneira incerta, oscilando quedas e altas. ''Quem investe no mercado agrícola teme o que possa acontecer e passa a vender contratos, realizar lucros'', explica.
De acordo com a economista, caso a crise se alastre, pode impactar negativamente as exportações, pois neste cenário, cai a demanda por commodities. Com o excesso de oferta, projeta Gilda, os preços tendem a cair. A orientação ao produtor é que atente-se às informações divulgadas em tempo real para obter rentabilidade com as vendas.
Na avaliação do operador de mercado na área de commodities agrícolas, Carlos Boszczovski, os reflexos no mercado agrícola doméstico só serão sentidos daqui a três meses. Conforme o operador, o setor comporta-se conforme as oscilações do índice Dow Jones. ''Se o índice melhorar e o Fed (Banco Central americano) conseguir baixar a taxa de juros possivelmente a queda dos produtos agrícolas irá se conter''.
Persistindo e intensificando-se o cenário de crise, a previsão de Boszczovski é que as cotações do milho e da soja caiam de forma não muito intensa sustentados pelos estoques baixos para as próximas safras.


