A aprovação do pacote de ajuda ao setor financeiro americano não vai evitar a recessão nos Estados Unidos. E embora o Brasil esteja em uma situação privilegiada, com uma balança comercial positiva e seu Produto Interno Bruto (PIB) em crescimento, o juízo determina cautela a todos os setores. A análise é do professor Laércio Rodrigues de Oliveira, mestre em economia pela PUC e delegado do Conselho Regional de Economia - Corecon do Paraná - em Londrina. Ele defende que o pessimismo é mau conselheiro, mas que a segurança pede que se evite financiamentos a longo prazo, conselho que vale para empresas e consumidores.
A curto prazo, no ''economês'' pode ser traduzido em um período de um a até 3 anos, a situação interna do Brasil deve continuar tranquila mas ainda não há indícios de que a paz econômica vá persistir. A injeção de cerca de US$ 700 bilhões proposta pelo Departamento do tesouro americano e as medidas de controle, que devem ser aprovadas neste final de semana, acalmam o mercado externo, mas ainda são insuficientes para recuperar a confiança interna no sistema financeiro. E é justamente esta falta de confiança que, na avaliação de Laércio Rodrigues de Oliveira, vai acabar ''respingando'' na economia brasileira.
O economista enfatiza que, diante de um processo já deflagrado de recessão, não sobram muitas alternativas ao governo americano para recolocar sua economia nos trilhos. O aumento dos juros em financiamentos a longo prazo para reduzir o consumo e as medidas de proteção à produção interna são inevitáveis a curto prazo.
''O tamanho do efeito destas medidas vai depender exclusivamente da capacidade do governo brasileiro de organizar sua política econômica para não perder o equilíbrio financeiro que conquistou na última década e continuar crescendo'', afirma Laércio de Oliveira. Com reservas cambiais de US$ 205 bilhões, sem nenhuma dívida externa dolarizada de curto prazo e uma perspectiva de 4,6% de crescimento no PIB deste ano, o país tem fôlego para segurar as oscilações da moeda americana no mercado interno e continuar crescendo.
Exagero? O contabilista e presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap de Londrina), Marcelo Esquiante, argumenta que embora a situação do país seja estável, o Brasil ainda depende muito do capital estrangeiro. ''Hoje 54% do capital de curto prazo (em dólar), responsável pelo giro da economia, vem de fora, o que nos deixa sensíveis às oscilações do mercado externo, principalmente do americano'', afirma.
Ele lembra ainda que o evidente crescimento da economia brasileira tem causado uma euforia no mercado, criando um consumo que ultrapassa a capacidade real de endividamento. Marcelo Esquiante explica que a armadilha está na ilusão de um crescimento que não é sólido, incentivado pela oferta de crédito fácil, que por sua vez força o aumento de produção que a demanda não tem capacidade financeira de absorver. ''Um dos grandes medos é ver o Brasil cair na mesma armadilha que prejudicou os americanos, a abertura de financiamentos subprimes - empréstimos para clientes com histórico de alto risco'', afirma Esquiante.

- Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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