A proibição das importações de produtos de origem animal e vegetal da Argentina pode ameaçar a união do Mercosul num momento em que o Brasil discute as relações comerciais tanto com os Estados Unidos como na comunidade Européia. Esta é a análise do senador Osmar Dias (PSDB-PR), feita no final de semana em Londrina, quando participou da abertura da 41ª Feira Agropecuária e Industrial.
Osmar Dias comentou que se por um lado o Ministério da Agricultura precisou tomar algumas medidas firmes, por outro deve haver preocupação com os reflexos negativos, numa análise mais geral sobre a correlação de forças entre os países que buscam se afirmar na disputa para equilibrar as relações comerciais.‘‘A proibição brasileira teve dois objetivos: proteger a economia brasileira e dizer à Argentina que nós podemos também tomar medidas unilaterais, como as que os argentinos têm feito’’. O senador se referiu no caso a redução da Tarifa Externa de Comércio (TEC) proposta pelo governo argentino e que representa um golpe na indústria brasileira.
O senador avalia que apesar das relações comerciais entre Brasil e Argentina não andarem muito boas já há algum tempo, é importante que o Mercosul se fortaleça. O Brasil terá mais força para se apresentar na reunião da Rodada das Américas, marcada para abril em Quebec, representando o Mercosul do que defender sozinho suas posições.
O senador argumenta que o Brasil deve aproveitar a crise na Argentina para propor urgente uma homogeneização das políticas sanitárias entre os países do Mercosul. ‘‘Temos fronteiras secas e não podemos pensar em nos beneficiar do problema da Argentina, porque estamos sujeitos a enfrentar as mesmas dificuldades aqui no Brasil’’.
A homogeneização da política sanitária seria possível se houvesse disposição e investimentos dos países interessados. ‘‘Precisamos atacar de forma preventiva este problema, com o aumento do números de técnicos da extensão rural para orientar os produtores, com mais equipamentos (laboratórios), mais fiscalização e mais rigor nas normas, como se estivessemos numa guerra’’.
O senador lembrou que a FAO já vem fazendo alerta sobre a homogeneização das normas sanitárias para todos os países, como maneira de garantir a qualidade dos alimentos. Dias comentou que o problema da aftosa nos países europeus ilustra bem esta necessidade, porque a utilização de alta tecnologia para controle da sanidade dos animais feito pelos governos europeus não impediu a entrada o vírus asiático que contaminou boa parte do rebanho daqueles países. ‘‘Os europeus se esqueceram que o vírus pode chegar facilmente de avião, num mundo globalizado como o nosso’’.
Osmar Dias informou ainda que a Argentina está fabricando uma nova vacina contra aftosa utilizando um vírus exótico. ‘‘Já pensou se por algum acidente este vírus escapa, aqui bem perto de nós. Temos que ser exagerados nos cuidados sanitários’’, enfatizou.
Segundo Dias, os prejuízos na Europa com os problemas da vaca louca e aftosa são de aproximadamente US$ 13 bilhões, valor que equivale a receita de exportação destes países durante 24 anos. ‘‘É um prejuízo imenso, e muito maior do que os recursos necessários para investir na padronização das normas sanitárias’’ avalia.
Já existem, segundo o senador, grupos na Europa defendendo que o mercado de carnes deixe de ser globalizado, justamente por apresentar estas ameaças de contaminação, por isso são necessárias medidas urgentes e eficazes.
Hoje o senador vai participar de reunião de grupos de parlamentares da câmara e do senado, justamente para discutir as relações entre Brasil e Canadá, tendo em vista a Rodada das Américas. ‘‘O congresso quer propor que a comissão brasileira que vai a Quebec esteja muito bem preparada para discutir e defender os interesses brasileiros.’’

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