As sucessivas frustrações de safra trouxeram dificuldades para os demais segmentos agrícolas. As indústrias de implementos, aquelas que atendem quase que exclusivamente o mercado interno, foram duramente atingidas pela crise no campo.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de máquinas agrícolas de setembro teve redução de 3,5% na comparação com as 3.939 unidades fabricadas em agosto último. No acumulado do ano, foram produzidas 35.509 máquinas agrícolas, o que representa decréscimo de 18,3% ante o mesmo período no ano passado (43.444 unidades).
Conforme recente informe da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) , desde o início da crise verificada no segmento, em junho de 2004, o quadro funcional reduziu de 45 mil para 35 mil pessoas.
Ao analisar os dados do setor, o presidente da Abimaq, Newton Mello, afirma que o principal fator que contribui para essa crise é a desvalorização do dólar frente ao real, somado à manutenção dos juros em patamares elevados, apesar das últimas reduções verificadas na taxa Selic.
Ele afirma que, ''como o setor que é termômetro da economia, há mais de 12 meses alertamos que a apreciação cambial promove a desindustrialização, a crise agrícola, o desemprego e a estagnação econômica''.
Adubo - Conforme estimativa da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o recuo nos volumes vendidos em relação ao ano passado será de 6,4%. Neste ano, serão entregues aos agricultores 19 milhões de toneladas, ante 20,3 milhões em 2005. Em 2004, as vendas atingiram o pico e somaram 23 milhões de toneladas. Entre fertilizantes e defensivos, o endividamento do setor rural com as empresas totaliza R$ 6 bilhões, segundo estudo da Anda.
Na avaliação do presidente da Anda, Mario Barbosa, a situação é mais crítica para os produtores de grãos do Mato Grosso por causa dos elevados custos de logística.
Para ajustar-se à nova realidade do mercado, desde novembro do ano passado a Bunge Fertilizantes já fechou sete fábricas no País, o que representou a demissão de 400 funcionários. Mas, pensando no longo prazo a empresa manteve o ritmo de investimento de US$ 400 milhões por ano.
Custo da safra - Segundo o mais recente estudo da CNA - Confederação Nacional da Agricultura -, a desvalorização do dólar e a demanda reduzida devem fazer desembolsos com insumos ficarem em R$ 70 bilhões, 30% menos que o das safras 2004/05 e 2005/06.
Essa tendência de redução de custos do produtor, por conta de estar descapitalizado, tem gerado uma certa preocupação, pois essa opção deverá afetar a produtividade da lavoura, representando a consequente diminuição da sua rentabilidade.
Pelo conjunto desses números apresentados, a safra 2006/07 representa, não só para os produtores, mas para todos os demais segmentos que dependem do desempenho do campo, uma espécie de semeadura da esperança de dias melhores. Uma nova frustração de safra seria trágica com consequências imprevisíveis para o agronegócio como um todo.

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