As dificuldades vividas pelo setor agrícola no Brasil obrigaram as indústrias atreladas ao mercado de transporte de cargas a pisarem no freio. Segundo André Bearzi, diretor comercial e financeiro da Aesa, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), uma das maiores fornecedoras do mercado de reposição de molas e peças para suspensão para veículos de carga, o setor sentiu uma queda de cerca de 30% neste ano.
''A agricultura foi mal dois anos seguidos e o setor sentiu porque o mercado de transportes ainda depende muito da área agrícola'', analisou Bearzi. A Aesa por exemplo, segundo seu diretor, sentiu uma retração de cerca de 20%. E se internamente a cadeia ligada aos transportes não conseguiu acelerar, externamente a situação não foi diferente, principalmente por causa da desvalorização do dólar. ''Como brasileiro, penso que é importante ver a valorização do real porque mostra que o país está no caminho certo mas, como negócio, hoje recebo muito menos reais pelos mesmo dólares que exporto'', observou Bearzi.
Mesmo assim, a Aesa está buscando novos mercados na Europa e a África. A empresa que atualmente exporta em torno de 12% de sua produção, basicamente para a América Latina, tem a meta de chegar a pelo menos 18% até o final de 2006.
Para tanto, a Aesa está investindo em tecnologia e em recursos humanos. Ontem, os representantes comerciais da marca em todo o País conheceram as recentes soluções tecnológicas que fizeram a empresa dobrar sua capacidade produtiva nos últimos quatro anos. Em dois anos, a fábrica será comandada por um software capaz de conduzir todas as peças até a máquina de produção, sem interferência humana e com ganhos em produtividade, previsibilidade e flexibilidade. A chamada produção ''just in time'' elimina a estocagem mas, em contrapartida, exige disciplina e tecnologia para atender todo o fluxo de informações em cada nova produção.

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