Crise afeta negócio com os EUA
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quarta-feira, 05 de março de 2003
Agência Estado 
São Paulo Com ou sem guerra no Iraque, uma recuperação mais vigorosa dos EUA deverá ficar para, no mínimo, o segundo semestre deste ano e isto já provoca impactos negativos na economia do Brasil, segundo analistas e empresários. Poucos partilham da opinião do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, para quem, em caso de conflito armado no Iraque, alguns setores no Brasil poderão ganhar tanto no comércio internacional quanto na atração de investimentos externos.
O presidente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Álvaro de Souza, é um dos que se mostra bastante pessimista. Ela acaba de voltar dos EUA, onde liderou uma missão empresarial brasileira para discutir a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em Washington. Depois de se reunir com 17 parlamentares e oito representantes do governo norte-americano, o ex-presidente do Citibank no Brasil voltou com duas certezas: a guerra contra o Iraque é certa e a recuperação da economia dos EUA não ocorrerá em 2003.
O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Correa de Lacerda, segue a mesma linha: ''O crescimento da economia dos EUA está baixo e instável e o nível de endividamento de empresas e famílias norte-americanas é extremamente elevado, o que barra o crescimento do consumo e dos investimentos''. Segundo Lacerda, o problema maior para a economia dos EUA é que os déficits nas contas do governo e nas contas externas impedem o crescimento. ''E a estratégia do presidente Bush de aumentar os gastos com defesa é um equívoco.''
A guerra que pode ser desencadeada por causa desta estratégia de Washington está minando a confiança dos norte-americanos na economia. O problema é que os EUA são a locomotiva comercial do mundo e sua demanda por produtos importados tende a cair num cenário de contínua desaceleração. No ano passado, as importações cresceram 3,8%, para US$ 1,4 trilhão, e o país registrou déficit comercial recorde de US$ 435,2 bilhões.
A fraca demanda norte-americana é uma notícia particularmente ruim para o Brasil, que tem nos EUA seu principal mercado para exportações. ''Vai aumentar a dificuldade para colocarmos produtos no mercado norte-americano'', prevê Lacerda. O Brasil só voltou a registrar saldos positivos depois da desvalorização do real de 1999. Em 2001, o superávit foi de US$ 1,3 bilhão. Já em 2002, o comércio foi favorável ao Brasil em US$ 5 bilhões. Do total de US$ 60 bilhões exportados pelo País, um terço foi comprado pelos EUA.
O empresário Sérgio Haberfeld, presidente do Conselho de Administração da Dixie Toga e da Amcham, se mostra menos pessimista. Para ele, como o porcentual das vendas brasileiras no total das importações norte-americanas é mínimo, os exportadores não sentirão muito. ''O mais provável é que nossas exportações apenas não cresçam tanto quanto prevíamos'', afirma.


