A crise enfrentada pelo setor agrícola nos últimos anos refletiu na utilização de tecnologia nas lavouras. A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Andra), por exemplo, registrou uma queda no consumo de 11,2% no ano passado, comparando com 2004. As vendas menores são explicadas pelo câmbio, que baixou os preços das commodities, principalmente, da soja; pelas adversidades climáticas e pela maior incidência da ferrugem.
''De 94 a 2004 o setor registrou crescimento anual de 7,6%%. Na safra 03/04 o consumo foi de 22,8 milhões de toneladas, quando o setor chegou a faturar US$ 5 bilhões. Mas, no ano passado, voltamos ao mesmo consumo de quatro anos atrás'', disse Eduardo Daher, diretor-executivo da Anda. Somente o Estado de São Paulo registrou um aumento das vendas de fertilizantes da ordem de 10%. O incremente se deve às culturas de cana-de-açúcar, café, celulose e citrus. ''Em síntese as culturas perenes vão bem e as de grãos vão mal. Em 2006 acredito que chegamos ao fundo do poço'', comentou.
O segmento tem uma expectativa de crescimento para os próximos anos, porém, em doses homeopáticas. A projeção é que o consumo de fertizantes volte a atingir os patamares de 2004 somente em 2010. ''O atual quadro é muito preocupante, estamos em um momento delicado'', afirmou George Wagner Bonifácio e Sousa, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).
Segundo ele, as dívidas dos produtores rurais com as indústrias de fertilizantes são um ''golpe duro'' que irão refletir na capacidade de operacionalização das empresas. ''A nossa percepção é que não vamos conseguir demanda, ainda mais que as decisões políticas e econômicas são postergadas. Ainda temos um grave problema logístico que encarece o produto e, em muitas vezes, o prazo de entrega não é cumprido'', observou.
Na sua avaliação, a postergação de dívidas dos produtores rurais - como são as propostas do governo federal - está levando o setor para uma ''catástrofe''. ''Existem recursos de vários segmentos, mas esse dinheiro não é disponibilizado por causa da burocracia. Recursos do FAT, por exemplo, poderiam ser empregados no seguro agrícola, que resolveria grande parte dos problemas enfrentados hoje pelos produtores rurais'', comentou. (F.M.)

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