Londrina - A crise que o setor leiteiro enfrenta desde o ano passado refletirá na participação do gado de leite na 42ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Apenas a raça Jersey estará presente com 60 animais em exposição. Criadores de bovinos Girolando farão um leilão com 30 animais. A raça holandesa, que preenchia de branco e preto pelo menos um dos pavilhões do Parque de Exposições Ney Braga, este ficará de fora do evento.
O motivo é a descapitalização do setor, segundo lideranças ouvidas ontem pela Folha. ‘‘Os produtores estão passando por uma situação difícil’’, diz o vice-presidente da cooperativa Cativa, Jair Carlos da Silva. A crise do setor começou com o aumento da produção e queda no preço pago ao produtor. Em 2000, chegou a ser pago R$ 0,45 por litro ao produtor. Ano passado, o valor médio despencou para R$ 0,28.
Segundo Silva, o excesso de produção foi de aproximadamente 10% e não houve interesse do governo federal em direcioná-lo para a exportação. ‘‘Para o governo, quanto mais baixo o preço, melhor, por se tratar de um produto importante na composição da cesta básica’’, comenta.
O vice-presidente da cooperativa Confepar, Sebastião Jamil Beleboni, observa que os leilões da raça eram um atrativo na Exposição de Londrina, mas este ano, sem perspectivas de negócios, muitos produtores ficaram desestimulados em levar o gado para o evento. Além disso, Beleboni cita os custos que envolvem a exposição de animais como mais um obstáculo para os produtores neste momento. Ele acredita, no entanto, que as coisas estão prestes a mudar.
‘‘Estou otimista com a melhora da pecuária leiteira no Brasil para este ano. Muitas pessoas deixaram o setor, devido à crise, e os que ficaram terão mais espaço para sua produção’’, comenta. O setor leiteiro, em Londrina, já movimentou bastante o Parque Ney Braga fora de períodos da Exposição Agropecuária, com realizações de torneios e da Expoleite. ‘‘A Expoleite era realizada com incentivo do Governo do Estado, que tinha interesse no aumento da produção. Hoje produzimos acima da demanda e estamos pagando o preço por isso’’, diz Jair Carlos da Silva.

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