Além de transtornos aos passageiros, o ''apagão aéreo'' - agravado na última semana com a greve dos controladores de vôo - trouxe prejuízos às agências de viagens. Segundo a regional da Agência Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav), de Londrina, a crise provocou uma redução de até 60% nas vendas de pacotes de viagens, com relação ao mesmo período do ano passado. ''Esta será a pior Páscoa da história'', desabafa Silvio Pereira de Souza, delegado regional da Abav e proprietário da Conquista Turismo.
Segundo ele, o maior prejuízo ocorre entre os clientes corporativos, que viajam a trabalho. ''Aumentou o transporte rodoviário porque as pessoas estão evitando os aviões. Nem mesmo as promoções das companhias aéreas estão contribuindo para que o movimento aumente'', diz. Souza acrescenta que há muitos problemas com as conexões aéreas e que a responsabilidade pelos atrasos ainda recai sobre as agências. ''Se o governo não tomar nenhuma providência as agências vão quebrar'', comenta.
Já o diretor de Receptivo da Abav/PR, Rubens Lopes Silva, proprietário de duas agências em Curitiba e outras quatro em Foz do Iguaçu (Extremo-Oeste do Estado), em um primeiro momento a crise não atrapalhou a venda de pacotes vendidos para o feriado de Páscoa porque a comercialização é feita antecipadamente. ''(A crise) Atrapalhou as vendas de última hora. Neste caso, houve uma redução de até 10% se comparado com o mesmo período do ano passado'', informa. Além disso, ele acrescentou que as pessoas que irão fazer viagens mais curtas estão optando pelo transporte rodoviário.
A prova disso é que, de acordo com Silva, os hotéis-fazenda localizados em um raio de 200 quilômetros de Curitiba estão lotados para o feriado. Além disso, o mercado do turismo internacional também apresenta crescimento mas, neste caso, em função da desvalorização do dólar.
Para Flávia Reis, diretora de Relações Internacionais do Londrina Convention & Visitors Bureau e agente de viagem, esses problemas prejudicaram as viagens mais longas. ''A crise tem afetado o turismo de eventos e de negócios. O Convention, por exemplo, faz muito esforço para captar eventos e, agora, a realização na cidade está sendo repensada porque ninguém sabe quando o problema será resolvido'', diz.
A maior preocupação é com o mercado internacional. ''Não vejo as associações de classe tomarem alguma atitude'', comenta. No entanto, uma reunião marcada para o próximo dia 12, em Curitiba, irá discutir a questão.


Otimismo - Na contramão da crise, está a Albatroz Turismo que têm registrado aumento nas vendas. ''A crise atrapalha porque temos muito trabalho para remarcar as passagens. Mas todas as vendas de pacotes foram feitas com antecedência'', informa a diretora Cristiana Pitol Grassano. Segundo ela, não houve cancelamentos de pacotes já comercializados e o movimento na agência é superior ao registrado no ano passado, quando a economia local foi afetada pela crise da agropecuária. ''Estamos tão otimistas que estamos investindo em novas lojas'', diz.

mockup