Crise acelera volta de dekasseguis
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A crise financeira internacional, que estourou a partir do final de setembro de 2008, está antecipando o retorno de muitos dekasseguis para o Paraná. O Sebrae-PR registrou, em janeiro, um aumento médio de 30% no número de atendimentos aos nipo-brasileiros que deixam o Brasil para trabalhar no Japão e que, quando retornam, buscam apoio da entidade para abrir um negócio.
O presidente da Associação Brasileira de Dekasseguis, Kiyoharu Miike, disse que, apesar de não ter uma estimativa, é grande o número dekasseguis que voltaram para o Brasil com a crise. ''Há muitos deles que não pensam em empreender'', comentou. ''Essa crise pegou todos de surpresa. A reação foi em cadeia, um dominó devastador'', afirmou.
Segundo ele, a crise acelerou a volta dos dekasseguis. ''Nesse momento, não temos condições de avaliar a amplitude e nem a duração que vai persistir essa situação. Enquanto isso não estiver claro, a permanência dos brasileiros no Japão vai ficar cada vez mais difícil'', declarou.
O dekassegui Fabio Miura, 37 anos, chegou no Brasil no dia 3 de janeiro e decidiu retornar devido à crise. Ele ficou fora do País durante três anos e meio e a maior parte do tempo trabalhava como operador de máquinas em uma fábrica de autopeças que fornece produtos para gigantes como a Toyota, Honda, Suzuki, entre outras. Ele viajou com a esposa e deixou os filhos de 9 e 12 anos no Brasil com a sogra para tentar novas oportunidades no Japão.
''A partir de outubro do ano passado, a fábrica começou a não contratar mais nenhum funcionário novo'', contou. Ele contou que, só desta empresa, mais de 50 dekasseguis voltaram para o Brasil em dezembro do ano passado. ''Eu fazia um serviço repetitivo e trabalhava em pé'', disse.
Miura já foi e voltou para o Japão três vezes. Em um dos retornos ao Brasil, montou uma loja de autopeças. Depois de sete anos, a empresa quebrou e ele teve prejuízo. No momento, ele não tem atividade profissional e está pesquisando o mercado para decidir o que pretende fazer no Brasil.
Os dekasseguis enviam para o Brasil algo em torno de US$ 2 bilhões de dólares, ao ano, dos quais 600 milhões para o Paraná. Quando retornam, trazem cerca de US$ 70 mil. ''Infelizmente, a crise, que no Japão tem se refletido no desemprego em grandes fábricas, já completou dez meses e uma mudança de cenário é esperada após março quando ocorrerá o encerramento do ano fiscal japonês'', explicou o coordenador estadual do Dekassegui Empreendedor, Marcos Aurélio Gonçalves.
Hoje, há cerca de 20 mil a 30 mil brasileiros desempregados no Japão. ''Assim o retorno ao Brasil tem sido uma das opções dos dekasseguis'', disse o coordenador. O fenômeno dekassegui, rumo ao Japão, teve seu auge no final da década de 1980, quando o governo japonês passou a conceder visto de trabalho para brasileiros descendentes de japoneses com residência no Brasil. Estima-se que existam atualmente aproximadamente 300 mil dekasseguis no Japão, 80 mil provenientes do Paraná.
O Dekassegui Empreendedor desenvolve a capacidade empreendedora. A ideia é garantir apoio educacional, técnico e gerencial na implantação de pequenos empreendimentos. A cada mês, o Sebrae/PR atende 300 dekasseguis em média. ''Número que tende a crescer nos próximos meses'', avaliou. De 2005 a 2008, de acordo com relatório consolidado do Sebrae Nacional, o Sebrae/PR realizou quase 11.835 atendimentos e reuniu 76.001 dekasseguis em eventos.


