O juro salgado e o descontrole dos gastos domésticos continuam alimentando o crescimento da inadimplência em todos os setores da economia. Por isso, bancos, financeiras, administradoras de cartões de crédito, construtoras, imobiliárias, escolas e comércio estão adotando a negociação como saída para evitar o calote. Tanto para quem está tendo dificuldades para pagar suas dívidas como para quem já está inadimplente, o momento é favorável à renegociação.
Mas é importante que, nesse acerto, sejam definidas condições de pagamento compatíveis com a atual capacidade financeira do consumidor. É que, se não avaliar sua real disponibilidade financeira para honrar o compromisso renegociado, o consumidor poderá voltar a ficar inadimplente e, assim, terá maior dificuldade para fazer um novo acordo. Após essa renegociação, o credor é obrigado a cancelar eventual protesto e limpar o nome do devedor das listas dos serviços de proteção ao crédito, lembra Dinah Barreto, assistente-técnica da Fundação Procon-SP.
Quem está à beira da inadimplência não deve buscar socorro financeiro com agiotas, por exemplo, para tapar buraco no orçamento, diz o consultor Carlos Roberto Ferreira Ayres. Ele recomenda que, nesse caso, se peçam empréstimos a parentes ou amigos com remuneração inferior ao juro que seria cobrado por agiotas e instituições financeiras. Ayres lembra, ainda, que muita gente pode ter meios de obter dinheiro rápido, mas desconhece essa possibilidade. Convém, por exemplo, verificar se há alguma conta inativa do Fundo de Garantia ou ações do Plano de Expansão do telefone que possam ser resgatados.
Para evitar a inadimplência ou tentar sair dela, o consumidor tem algumas outras saídas. Se possível, venda algum bem, como telefone, ações do Plano de Expansão, carro ou imóvel, em vez de recorrer a outro financiamento.
Quem está empregado deve procurar saber se a empresa oferece empréstimo com juro inferior ao cobrado no mercado ou se antecipa o pagamento de férias e do 13º salário.
Para quem está atolado no cheque especial, a dica é procurar o gerente de sua conta para pedir o parcelamento do débito por meio de outra linha de crédito com juro mais baixo. Os bancos costumam repactuar dívidas do cheque especial, que embutem taxas de até 13,40% ao mês, por meio do crédito pessoal, que cobra juro mensal entre 4,25% e 9,80% .
No caso de dívidas com o cartão de crédito, é possível negociar o parcelamento e o juro. A administradora Credicard, por exemplo, há dois meses lançou um sistema de renegociação pelo telefone. O interessado que reside nas regiões Norte e Nordeste deve telefonar para a central de atendimento do Rio de Janeiro no telefone 0800- 784474 e quem mora na região Sul e no Estado de São Paulo pode telefonar para 0800-110131. A negociação é caso a caso, mas a empresa costuma ampliar prazo e reduzir encargos contratuais. Mesmo com o acerto, o cartão fica bloqueado até a quitação do débito.
Pais de alunos que tiverem mensalidades escolares em atraso também devem ir à escola para tentar parcelar o débito. No comércio, é mais fácil negociar com empresas que mantêm crediário com recursos próprios, porque são mais tolerantes e levam mais tempo para protestar a dívida. Os lojistas normalmente dividem o débito e não cobram multa.
No segmento de locação de imóvel, em virtude da maior oferta, os proprietários também aceitam o parcelamento do aluguel em atraso em até seis meses. As construtoras, por sua vez, somente iniciam a execução da dívida após 90 dias de atraso e costumam esticar o prazo de pagamento e isentar o devedor de multa.

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