Crime virtual rende US$ 100 bilhões por ano
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segunda-feira, 03 de novembro de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A obtenção de vantagens financeiras de forma ilícita por meio da internet está aumentando de forma significativa em todo o mundo. A estimativa de uma multinacional japonesa que trabalha com segurança da informação virtual é que o cibercrime tem um ''faturamento'' de US$ 100 bilhões por ano. O valor é maior que o lucro líquido obtido pelo tráfico de drogas em todo o mundo no mesmo período.
A informação é do gerente de negócios da Trend Micro Incorporated para o Brasil, Hernán Armbruster, que esteve esta semana em Londrina para uma reunião com parceiros e clientes, e falou à FOLHA com exclusividade. ''O nosso objetivo é conscientizar o mercado sobre estas experiências; nós gostamos de compartilhar com nossos clientes algumas visões sobre o futuro para que eles entendam o cenário da delinquência na internet e apresentamos dicas para que se protejam de forma adequada''.
O executivo explica que os hackers criam ações cada vez mais eficientes e com curtos períodos de duração, com tempo médio de sete horas e o claro objetivo de obter algum tipo de vantagem financeira. ''Há alguns anos, o objetivo da ameaça não era só financeiro, era mais subverter o sistema, mas hoje ela visa lucrar com isso''.
Em contrapartida, há empresas que criam ''vacinas'' tão ou mais fortes para combater os piratas da informática. A Trend Micro, por exemplo, produz uma média de 800 a 1.000 vacinas por hora para neutralizar a ação dos hackers. Algumas delas são criadas logo depois que a ação do hacker é identificada, mas como as ações são rastreadas em todo o mundo, há vacinas que são criadas de forma preventiva, antes que os piratas da informática entrem em ação.
A Trend Micro tem 4 mil funcionários em vários países e mais de um terço deste pessoal - cerca de 1.500 pessoas -, trabalham exclusivamente para criar as tais vacinas. ''Uma informação digital importante, o relatório confidencial de uma empresa ou a senha para entrar em um sistema, são cada vez mais procurados por estes delinquentes que depois tentam transformar esta ação em dinheiro. E o pior é que existe uma 'indústria' que compra e vende este tipo de coisa'', afirma o executivo.
Só no primeiro semestre deste ano, a multinacional japonesa criou cerca de três milhões de vacinas para combater as ações dos hackers. ''Esse número tem crescido de forma significativa porque o tempo de vida da ameaça se reduziu muito. Hoje, o hacker pode criar uma ameaça que funciona apenas por algumas horas porque, pare ele, apenas uma hora é suficiente para praticar o roubo'', destaca Armbruster.
E seguindo uma tendência do mercado em termos de tecnologia, a Trend Micro está criando soluções para segurança da informação na internet em outros objetos, além de computadores. ''Daqui a alguns anos, o celular vai superar o computador na conexão com a internet. Por isso, a gente está investindo muito em outros dispositivos que se conectam à internet, que também podem ser o tocador de MP-3, a televisão, a geladeira, o GPS do carro, e assim por diante'', resume Armbruster.


