A corrupção em grande escala, os custos da mão-de-obra, infra-estrutura deficiente e burocracia são alguns dos motivos que tornam arriscado investir no Brasil. Essas conclusões fazem parte de um estudo do Bird (BAnco Mundial) sobre os investimentos diretos no Brasil, elaborado a pedido do Ministério das Relações Exteriores.
O estudo afirma que existe um ‘‘sentimento generalizado’’ na comunidade nacional e estrangeira de que ‘‘algumas partes’’ do governo com responsabilidade pelo clima de investimentos ‘‘estão cheios de si’’.
Deste modo, acham que não são necessárias iniciativas adicionais para facilitar ou acelerar o processo de investimentos.
‘‘Essa atitude é fácil de entender, especialmente à luz dos montantes impressionantes de influxos de investimentos nos últimos anos. Pode-se até mesmo admitir que seja parcialmente justificada’’, diz o estudo.
No entanto, logo a seguir, o documento informa que, ‘‘infelizmente, tal satisfação consigo próprio também é prejudicial’’ e cita o caso da Intel, que explorou a possibilidade de instalar uma fábrica de semicondutores no Brasil, com investimentos iniciais de US$ 300 milhões, e que acabou indo para a Costa Rica, pois encontrou ‘‘pouco interesse da burocracia’’.
O estudo afirma ainda que ‘‘parece haver um consenso quase universal de que o sistema judiciário no Brasil é arcaico e profundamente carente de reformas’’.
‘‘As leis ordinárias, inclusive códigos comerciais e civil, estão obsoletas e os procedimentos civis complexos levam a recursos aparentemente infindáveis que tornam o sistema lento e os resultados incertos’’, diz o documento.
O estudo diz ainda que os tribunais trabalhistas são vistos como ‘‘fortemente tendenciosos’’ a favor dos empregados.
Apesar dos diversos empecilhos a investimentos no Brasil, como corrupção, legislação complexa, problemas no Judiciário e falta de previsibilidade de políticas macroeconômicas, o estudo realizado pelo Bird revela que o Brasil é um dos campeões mundiais na atração de investimentos externos.
O recente ‘‘altíssimo’’ ingresso de investimentos, segundo o estudo, é resposta à privatização e abertura de setores anteriormente fechados, à atração exercida pelo mercado brasileiro, ao reflexo à melhoria no ambiente econômico e político, principalmente no curso da última década.
Uma estimativa do Bird é que o Brasil poderia atrair entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões por ano se conseguisse reduzir sua ‘‘opacidade’’ em relação ao Reino Unido, Estados Unidos, Chile e Cingapura.

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