Com o motor de um aspirador de pó trazido da Alemanha, Ronald Tkotz criou o sistema de ventilação do primeiro forno da fábrica de molas Blacksmith, fundada em 1950, no centro de Cambé. Seis décadas depois, segundo seus dirigentes, criatividade e inovação continuam sendo as principais características da empresa que passou a chamar-se Aesa nos anos de 1960.
O fundador morreu no ano passado aos 92 anos, mas deixou um legado importante aos sucessores. ''A gente nunca perde a capacidade de aprender e de inovar. A curiosidade é uma marca da família'', afirma Viktoria Tkotz, filha de Ronald e diretora Administrativa da fábrica.
Fornecendo molas automotivas para grandes implementadoras como Noma, Randon, Fachini, Liberato, e atendendo também o mercado de reposição, a indústria faturou no ano passado R$ 60 milhões.
Além de Viktoria, Klaus Ronald Tkotz representa a segunda geração da família à frente da empresa. Ele ocupa o cargo de diretor industrial. ''Meu pai passou a vida inventando um jeito de fazer melhor e mais fácil. Ainda existem máquinas em uso na fábrica que ele mesmo construiu. Estão velhas, mas não obsoletas'', conta.
Com uma produção diária de 50 toneladas, a Aesa emprega 320 pessoas e destina atualmente 15% das molas para o exterior. A maior parte vai para a América Latina. Mas as exportações também incluem Oriente Médio, África e Europa.
''A cotação do dólar está nos ajudando a recuperar o mercado externo. A R$ 2, nossos produtos passam a ser bem competitivos com os dos concorrentes'', afirma André Bearzi. Filho de Viktoria, ele representa a terceira geração no trio de diretores, respondendo pela área comercial.
A meta da indústria é elevar a exportação para até 25% da produção. Garantir vendas externas é importante para a empresa enfrentar cenários como o deste ano. Devido à retração do mercado interno de implementos rodoviários, os negócios da Aesa recuaram 15% no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2011.
A esperança se concentra no segundo semestre. ''Leio 50 opiniões (de especialistas) todos os dias. Ainda não estou vendo os fatores de melhora do cenário. Mas a torcida e as expectativas são muito grandes'', diz o diretor comercial. Segundo ele, em economia, muitas vezes as ''expectativas são mais importantes que os fatos''.
O desaquecimento do mercado se deu após uma sequência de bons anos. 2009, por exemplo, ficou na lembrança dos diretores da Aesa como ''extraordinário''. ''Foi quando ultrapassamos a marca de mil toneladas vendidas num mesmo mês'', ressalta Bearzi.
O diretor industrial conta que a fábrica está vivendo um novo momento de reestruturação interna. ''Passamos alguns anos com resultados muito bons. O pessoal estava batendo metas com facilidade'', afirma Klaus Tkotz. Por isso, de acordo com ele, é preciso dar um ''chacoalhão geral''. ''Isso significa mudar mentalidade, criar novos elementos motivadores e acompanhar resultados mais de perto'', afirma.

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