Uma pesquisa feita pela consultoria Ernst & Young revela que, em 1997, apenas 25 grandes empresas no Paraná tiveram lucro de R$ 634 milhões, enquanto que outras 200 empresas tiveram prejuízos. A consultoria pesquisou um universo de 236 maiores empresas sociedades anônimas do Paraná que possuem ativos da ordem de R$ 50,33 bilhões. Desse total, as 25 maiores representam ativos de R$ 44,4 bilhões, que correspondem a 88% do ativo total. ‘‘A pesquisa alerta que o empresariado paranaense precisa estar atento para novos negócios que estão surgindo, usar a criatividade e não ficar esperando soluções do governo’’, alertou o sócio-executivo da consultoria, Wanderley Carlos Stringhini.
O auditor chama a atenção para equívocos que são cometidos no dia-a-dia, que podem dificultar o crescimento ou colocar em risco a sobrevivência das empresas. Entre eles, apontou a limitação de informações e a falta de capacitação profissional, que continuam sendo sérios problemas. Para Stringhini, um programa de capacitação de funcionários exige o desenvolvimento de sistemas onde o treinamento deve ser bem-feito, com metas a serem cumpridas.
Outras empresas, disse, não evoluíram no tempo, não acreditaram na competitividade e nem se preocuparam com o processo de globalização da economia. Stringhini observou que as empresas não devem olhar apenas Curitiba ou o Paraná como o seu mercado, mas sim o mundo. ‘‘Em 10 anos, dois terços das vendas de produtos serão feitos pela Internet, portanto se o empresário não se alertar já para essas mudanças, vai perder mercado’’, advertiu.
Outro recado foi dirigido às empresas com administração familiar, onde as disputas pessoais acabam se sobrepondo ao negócio e começam as influências negativas. ‘‘A solução é a administração profissional para preservar a empresa’’, recomendou Stringhini. Para o consultor, o mundo dos negócios está reservado às grandes empresas, sendo que aos pequenos e médios empresários restarão nichos de mercado a serem explorados. Entre eles, está o setor de alimentos, agricultura, pecuária, transportes de pequeno porte, siderurgia. ‘‘Os pequenos negócios terão de ser planejados com criatividade e de olho nas novidades que estão surgindo’’.
Um filão que poderá ser explorado pelos grandes empresários, mais capitalizados, são os negócios oriundos da ciência. Stringhini explicou que os estudos e pesquisas sobre crescimento e envelhecimento estão adiantados e o que se prevê é o aumento da população de idosos, que estarão disponíveis e com saúde para gastar suas economias. ‘‘Pensando assim, é imenso o potencial de negócios como hotéis, viagens e lazer para idosos’’. Também os negócios virtuais deverão crescer, sendo que em pouco tempo, as compras em supermercados, shoppings, livrarias, serão feitas via Internet.
Sobre ocupação de mão-de-obra os setores que mais deverão absorver pessoal será o de agências de serviços temporários para a Saúde e cuidados pessoais, de restaurantes e bares, hospitais privados, computação, e serviços de entrega. O emprego deverá cair nos bancos e instituições financeiras, comércio varejista, principalmente o de roupas femininas.Mauro FrassonAlertaO consultor Stringhini: o empresário paranaense precisa estar atento às novas oportunidadesVânia Casado

mockup