Criatividade é arma para enfrentar a crise
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domingo, 01 de fevereiro de 2009
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
Na contramão do pessimismo que toma conta do mercado mundial e brasileiro, empresários dão mostras de criatividade e rapidez nas soluções para atravessar a crise. Vender para outros clientes, exportar, negociar com fornecedores preços menores para matéria-prima e criar novos produtos tem sido a saída para empresas que estão no mercado a mais de meio século. Mesmo com esta desenvoltura para enfrentar momentos difíceis, o crédito bancário com juros altos para o consumidor e para a produção das empresas continua fazendo estragos na economia nacional.
A Aesa de Londrina, que atua há 59 anos no setor metalmecâncio, fabricando molas para caminhões destoa do discurso do caos econômico dos últimos dias. Cabe lembrar que empresas com mais de 50 anos passaram por diversas crises como a do petróleo no Irã (80), a recessão americana (80) e a crise da Ásia e da Rússia (80). Isso sem falar das crises internas, como os vários planos econômicos, um deles confiscando a poupança.
O empresário da Aesa, André Bearzi, verificou um crescimento de 39% em setembro do ano passado, com a venda de 1.017 mil toneladas de molas para caminhão. ''Era o auge das vendas antes de explodir a crise'', lembra. No entanto, em outubro, a queda nas vendas foi da ordem de 65%, quando apenas 350 toneladas foram vendidas. Era o prenúncio de uma crise econômica globalizada.
Diante de números tão ruins, Bearzi conta que mesmo antes da crise explodir, já estava sintonizado com o mercado interno e externo de molas para caminhão. Ele avaliava, já em meados do ano passado, que o forte aquecimento na venda iria despencar de uma hora para outra. O empresário informa que aproveitou a desconfiança para lançar a mola parabólica no mercado interno, muito utilizada por caminhões europeus, asiáticos, no Oriente Médio e na África. ''A informação sobre o mercado que atuo foi fundamental para que eu tomasse algumas atitudes antecipadas'', conta. Além disso, em agosto do ano passado foi criado um departamento de importação e exportação.
O objetivo também, segundo ele, era buscar novos mercados. Diante desta e de outras atitudes, o empresário diz que dos 65% de perda nas vendas, conseguiu reverter este número para uma queda mais suave, de 16% neste mês. Bearzi informa que para atingir este resultado a empresa cortou custos, diminuiu a expectativa de lucro, redefiniu preços menores com fornecedores, investiu no departamento de vendas e conseguiu novos mercados na África, Oriente Médio e Europa. ''Já passamos por várias crises. O importante é não ficar parado, ter atitude e ser criativo'', dá a receita.


