Crianças testam laptop de US$ 100 na USP
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sábado, 23 de dezembro de 2006
Renato Cruz<br>Agência Estado 
São Paulo - Marina Beatriz da Silva Cardoso, de 10 anos, queria um laptop só para ela. Lá em casa eu quase não uso, afirmou a menina, que esteve ontem na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Quem usa é meu irmão. Sete anos mais velho, ele se chama Bruno e, segundo Marina, é o principal usuário de computador na casa deles. Eu ia aprender mais mexendo no computador. Na escola, Marina não tem aula de informática.
O Laboratório de Sistemas Integráveis, da Poli, recebeu 20 protótipos do XO, também chamado laptop de US$ 100. As máquinas fazem parte do programa Um Laptop por Criança
(OLPC, na sigla em inglês), criado pelo professor Nicholas Negroponte, co-fundador do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O objetivo do programa é levar computadores portáteis de baixo custo para estudantes de países em desenvolvimento.
Como o próprio Negroponte disse, mês passado, quando entregou um XO ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto entra numa nova etapa, agora que existem máquinas que podem ser usadas. Achei bem legal, disse Gabriela Medina de Souza Lima, também de 10 anos, vizinha de Marina. Gabriela acessou a internet no XO e usou a câmera.
Como todo protótipo, as máquinas que vieram para o Brasil não estão livres de problemas. As baterias não estavam recarregando bem e, por causa disso, os laptops da USP foram ligados na tomada. A tecnologia Mesh, que permite às máquinas se conectarem sem fio umas às outras, precisava ainda de uns ajustes e, por isso, os laptops acessavam ontem à internet por uma conexão normal de Wi-Fi, rede local sem fio. Algumas crianças acharam que o computador demorava um pouco para passar de aplicativo a outro.
Os pesquisadores da Poli, e de outros centros que receberam os 60 protótipos que vieram para o Brasil, vão informar à OLPC sobre ajustes que precisavam ser feitos. No geral, a primeira impressão foi muito boa. Muitas crianças conseguiram descobrir sozinhas como o computador funcionava, com sua interface gráfica bastante intuitiva. A qualidade da tela surpreendeu os pesquisadores, que esperavam resolução mais baixa.
Na minha opinião, o acesso à internet é tão ou mais essencial que a energia elétrica, afirmou a professora Roseli de Deus Lopes, da Poli. Até fevereiro, devem chegar cerca de mil máquinas ao País, o que permitirá testes maiores, como verificar o que acontece quando todos os alunos numa escola estão com um laptop. A Intel, que tem um projeto concorrente, também vai oferecer cerca de 800 máquinas para teste. O governo deve decidir em 2007 se comprará os laptops para estudantes.
Andróide - Uma grande loja de Tóquio contratou para as festas de fim de ano como trabalhador temporário um robô, cuja semelhança com uma mulher jovem é surpreendente, a ponto de assustar as crianças. O andróide, concebido por um laboratório universitário especializado, é coberto por uma pele muito realista e seus movimentos (de mãos, lábios, cabeça e olhos) são bastante naturais. O atendente repete, de manhã à noite, a mesma mensagem publicitária gravada. O ministério japonês da Economia, Indústria e Comércio promove as pesquisas sobre robótica, sobretudo as de robôs de assistência a pessoas e empresas.


