Crianças têm poder de compra nas famílias brasileiras
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
Uma pesquisa encomendada ao Instituto Datafolha sobre consumismo na infância, realizada ano passado em São Paulo, aponta que 85% dos pais concordam que as propagandas levam seus filhos a serem consumistas e isto acaba influenciando no orçamento familiar. A alta exposição das crianças, principalmente entre 3 e 12 anos, às mídias mais diversas está ocasionando um fenômeno conhecido como mercantilização da infância, que prejudica as relações de afeto e causam um estresse familiar. Uma das alternativas para atenuar este e outros problemas relacionados ao consumismo nesta faixa etária será discutido hoje em Londrina, durante o II Simpósio do Direito do Consumidor.
A palestrante será Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, que atua tanto recebendo denúncias sobre o tema como acompanhando os Projetos de Lei que estão em tramitação no Congresso. Em entrevista à FOLHA, ela salienta que a defesa do instituto é que não haja publicidade dirigida a crianças, independentemente do produto. ''Na verdade, elas já seriam limitadas quando analisamos a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor'', explica ela.
Outra pesquisa do Datafolha relatada por Ekaterine á- esta realizada em maio deste ano em todo o Brasil - aponta que em 80% dos lares pesquisados é a criança que tem o poder de decisão na hora da compra. Ela afirma que a falta de uma lei específica dificulta porque as interpretações da propaganda acabam sendo diversas. ''Em 28 países, aproximadamente, há algum tipo de restrição para publicidade infantil, seja em relação ao horário ou à publicidade dentro de programas infantis. E não estamos falando em países antidemocráticos, e sim de Europa e Estados Unidos''.
A advogada relembra um caso de Londrina, no qual uma marca de roupas infantis utilizou uma criança de apenas cinco anos, fotografada de forma sensualizada, em um outdoor com os dizeres ''use e se lambuse''. As consequências a curto prazo, além da mercantilização da infância, são a erotização precoce e até obesidade infantil, já que a publicidade relacionada a alimentos também é muito forte. ''Temos palavras como 'compre', 'peça', 'use' que aparecem muito em nosso País. Uma criança consumista tem tudo para se tornar um adulto consumista e endividado'', avalia.
Para tentar atenuar este consumismo infantil, o projeto do Instituto Alana recebe as denúncias e as encaminha para o Procon das cidades e, em alguns casos, até para o Ministério Público. ''Não acreditamos que apenas a regulamentação do mercado seja eficiente, é preciso que órgãos externos façam uma fiscalização rigorosa'', completa Ekaterine.


