A Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC) sugeriu, em comunicado distribuído ontem à imprensa, que o governo federal paralise as negociações com a União Européia (UE). O argumento da ANPBC é que já que os europeus não concordaram com as normas de certificação e rastreabilidade nacionais, os brasileiros, por sua vez, não aceitam a forma ''imperialista'' dos europeus que submetem ''nossas autoridades e nós, bovinocultores de corte, a mais uma humilhação''.
A entidade se diz contrária à escolha de apenas um determinado número de fazendas habilitadas à exportação. ''Todos os bovinocultores de corte devem ter o direito de exportar, desde que cumpram com responsabilidade todas as exigências do nosso País para atender os mercados externo e interno. Isto é uma questão de soberania'', afirma o comunicado. Para os criadores deve ser encontrada uma solução conjunta - discutida entre bovinocultores e governo - para o estabelecimento de regras claras de rastreabilidade e certificação.
''A suspensão de agora não é por problemas de sanidade, mas pela luta costumeira do protecionismo dos criadores, que não conseguem competir com nossos volumes e preços ofertados. Este é um problema comercial'', frisam os criadores. Segundo o comunicado apenas 2,5% do total produzido no País é consumido pela UE, quantidade que eles acreditam ser facilmente absorvida por outros mercados consumidores da carne brasileira.
''O momento é favorável a esta nossa proposta porque a procura de carne no mundo é maior que a oferta, assim os componentes da cadeia da carne - governos, distribuidores, varejistas e, principalmente, consumidores - serão nossos aliados para o retorno àquele mercado de forma definitiva e independente'', comenta o comunicado. A ANPBC foi criada há quase dois anos depois da confirmação de focos de febre aftosa no rebanho paranaense.
A entidade nasceu com a proposta de unir os criadores de bovinos de corte de todo o País que se viram ''desprotegidos'' durante o episódio da aftosa no Estado. O presidente da entidade é o pecuarista André Carioba, que teve seu rebanho abatido devido à confirmação de um foco em sua propriedade. Até hoje, não há confirmação de que o vírus da aftosa tenha de fato contaminado o rebanho paranaense. (F.M.)

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