Criadores reivindicam valor pelo couro
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Sorocaba - No momento em que o Brasil se torna o maior exportador de couro do mundo, a União Democrática Ruralista (UDR), entidade que representa fazendeiros, está iniciando uma campanha entre os associados de todo o País para incluir o valor desse produto no preço pago pelo boi destinado ao abate. Segundo o presidente da entidade, Luiz Antonio Nabhan Garcia, os frigoríficos agregam valor e faturam cada vez mais com o couro, mas nada repassam para o criador. ''A pele do boi entra de graça no frigorífico, assim como os miúdos e outras partes que são processadas e vendidas em dólares'', afirma.
Nabhan vai incluir essa discussão na pauta de um encontro que reunirá pecuaristas de todo País no dia 7, em Presidente Prudente (SP). Na ocasião, será realizado o tradicional leilão da UDR. Ele considera que a forma de remuneração adotada pelos frigoríficos é extremamente injusta. ''O criador recebe apenas pela carcaça do boi, ou seja, o dianteiro e o traseiro.'' Um boi médio perde quase 50% do seu peso quando é transformado em carcaça pelo frigorífico. ''Além do couro, o pecuarista nada recebe pela barrigada vermelha, ou seja, fígado, rins e coração, nem pela barrigada branca, o bucho, as tripas e o sebo.''
Esses produtos, no entanto, são altamente valorizados, sobretudo no mercado externo, segundo ele. Os frigoríficos processam e exportam o bucho e as tripas principalmente para a Itália. O couro cru de um animal de 500 quilos, segundo Nabhan, vale R$ 3 o quilo, o que dá uma média de R$ 120 por animal. Depois de receber o processamento, essa pele passa a valer até US$ 70. De janeiro a julho, o Brasil exportou 15,6 milhões de couros, que renderam US$ 710,6 milhões.
''O pecuarista não recebeu um centavo desse dinheiro, embora tenha investido em cercas lisas e na prevenção de parasitas para garantir um couro de qualidade para o frigorífico'', afirma. O presidente da UDR não critica os frigoríficos, que, segundo ele, estão defendendo seus interesses comerciais. Ele acha que a mudança no critério de remuneração deve partir dos produtores. ''Se os pecuaristas se unirem, eles podem alterar essa relação comercial que, hoje, lhes é altamente desfavorável.''
Nabhan diz que a UDR tomou a iniciativa de levantar a questão por sugestão dos próprios associados. Ele acredita que outras entidades representativas dos produtores vão aderir à campanha.


