Criadores abateram matrizes e reduziram os rebanhos
A escassez de boi gordo no mercado é fruto da redução do rebanho brasileiro. Nos últimos dois ou três anos houve um abate intensivo de matrizes e, a consequência deste descarte, é que agora há menos oferta de bezerros e garrotes para o corte.
A estimativa da Scot Consultoria é que o rebanho brasileiro tenha cerca de 191,3 milhões de cabeças, contra 193,3 milhões em 2004. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) estima um rebanho formado por mais de 200 milhões de bovinos. No Paraná, seriam cerca de 10 milhões, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
''Não tem como o rebanho ter crescido devido aos abates das matrizes'', afirma o consultor de mercado Leonardo Alencar, da Scot Consultoria. Segundo ele, os baixos preços praticados entre 2003 e 2004 levaram muitos pecuaristas a promover o abate das vacas de cria para fazer caixa; outros abandonaram a atividade de olho nos bons preços de commodities como a soja e a cana-de-açúcar. ''Na Região Noroeste muitos pecuaristas tiraram o gado para plantar cana. Quem vai para a agricultura dificilmente volta para a pecuária porque o pecuarista se desfaz do seu rebanho e modifica as instalações da sua propriedade'', afirma Fábio Mezzadri, veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Seab.
Esses procedimentos refletem, agora, na redução da oferta de bezerros e garrotes. Em média, um boi demora cerca de três anos para chegar ao ponto de abate. ''Essa retração na oferta vai provocar um aumento de preços. Mas com preços melhores, os pecuaristas podem novamente começar a investir no rebanho, o que deverá contribuir para um excesso de oferta do boi gordo futuramente'', analisa Alencar.
Ele acrescenta que poderiam ser realizadas campanhas para incentivo do consumo interno de carne que, atualmente, acompanha apenas o crescimento vegetativo e está estimado em 38 quilos por pessoa anuais. ''O Brasil já tem um consumo alto per capita de carne, está entre os cinco maiores do mundo, mas acredito que há espaço para crescer'', afirma.
No Paraná, a alta do preço da arroba refletiu também no aumento do custo do bezerro. No ano passado, a cotação variou entre os R$ 300 e os R$ 350 e, atualmente, já está nos R$ 400. ''No Estado a comercialização de boi está estagnada porque a estiagem está afetando o pasto'', informa Fábio Mezzadri. (F.M.)





