O governo que abrir mão ‘‘da Copel, é criminoso’’, afirmou, ontem durante uma palestra em Cambará (22 quilômetros a noroeste de Jacarezinho), o engenheiro José Walter Bautista Vidal, criador do Programa Nacional do Álcool (Proalcool) na década de 70 e Secretário de Tecnologia Industrial do Brasil por três vezes. Segundo Vidal, a privatização da Copel retira do governo os instrumentos de ação para estimular o desenvolvimento e permite que o Estado acabe como refém de empresas estrangeiras.
Vidal realizou palestras em Cambará e em Bandeirantes para produtores rurais e profissionais liberais. Na palestra, ele disse que a manutenção dos sistemas de produção e distribuição de energia elétrica são essenciais ao desenvolvimento e a desestatização deste setor é um retrocesso. O intelectual afirma que as experiências de privatização dos sistemas hidrelétricos e das águas sempre foram desastrosas. ‘‘Os casos da Light do Rio de Janeiro e da privatização do setor elétrico no estado da Califórnia, nos EUA, confirmam a precariedade dos serviços prestados pela iniciativa privada’’, disse.
De acordo com Vidal, as empresas desestatizadas são ‘‘entregues’’ ao capital privado. Em sua descrição, as avaliações efetuadas pelas consultorias externas apresentam valores distorcidos que beneficiam as empresas compradoras. ‘‘O preço estipulado pela consultoria é fajuto’’, disse. Segundo ele, a Procuradoria Geral da República afirmou que a Usiminas, siderúrgica de Minas Gerais, avaliada e vendida para grupos externos foi arrematada por preço inferior ao valor correspondente a um veículo usado. ‘‘Só o patrimônio ativo da Usiminas estava cotado em US$ 15 bilhões de dólares’’, disse.
Em sua crítica, Vidal destaca que o sistema hidrelétrico produz energia limpa e que os investimentos das empresas estatais já foram ressarcidos. Ele disse que a utilização de combustíveis fósseis está atrelado a investimentos externos e que o mecanismo, além de oneroso, polui o meio ambiente. ‘‘Pagamos em dólares e não geramos empregos. Devemos utilizar nossos sistemas hidrelétricos para garantir o suprimento de energia e assegurar empregos e autonomia energética.’’
Vidal destacou que o Brasil é uma superpotência e que é o único País capaz de evitar ou impedir o colapso energético do planeta. Segundo ele a produção de combustível natural por meio das agroindústrias, junto com as hidrelétricas, é a alternativa para a extinção das reservas naturais de petróleo. Ele cita a mandioca, cana-de-açúcar e girassol como plantas capazes de captar a energia solar e, por meio de reações químicas endotérmicas, realizar a produção de hidratos de carbono. Os hidratos são a base dos combustíveis energéticos encontrados no açúcar, amido, óleos vegetais e celulose.
O evento foi promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea), Cooperativa Regional Agrícola Mista de Cambará (Coopramil), Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneguel (FFALM) e Associações de Engenheiros. O presidente do Crea-PR, Luiz Antonio Rossafo, disse que o objetivo da atividade é provocar a discussão e despertar uma visão mais aprofundada e crítica dos processos políticos atuais. ‘‘Os produtores precisam se organizar para assegurar vantagens estratégicas’’, disse.

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