Criador critica mudanças sem aviso
Curitiba - Pecuarista, o superintendente da Folha José Eduardo de Andrade Vieira disse que o Frigorífico Margem, de Paranavaí, não avisou os pecuaristas sobre as alterações nas regras de comercialização. Segundo ele, os pecuaristas estão sendo prejudicados com o excesso de descontos sobre a cotação do boi gordo e eles não têm a quem reclamar. O frigorífico não está atendendo aos pecuaristas que só ficam sabendo dos descontos depois do boi abatido.
José Eduardo, na semana passada, teve animais desclassificados porque pesavam entre 15 e 16 arrobas. O pecuarista admite que animal com peso inferior a 15 arrobas tem sua cotação rebaixada para preço de vaca. ''Mas nunca soube que animal com peso entre 15 e 16 arrobas também é desclassificado'', reclamou.
O pecuarista disse que se sentiu lesado porque entregou um lote de animais com qualidade de exportação e não houve valorização por parte do frigorífico, pelo contrário houve descontos. De acordo com o empresário, os animais tinham idade de dois anos e terminados em confinamento, o que eleva a qualidade da carne. Mas para sua surpresa, o lote teve descontos e o Frigorífico Margem não deu explicação.
O pecuarista disse que está descontente na comercialização com o Margem desde o ano passado, quando o frigorífico rebaixou o rendimento da carcaça de seus animais de 55% para 51%. Na época, ele reclamou e os dirigentes do frigorífico concordaram em pagar o rendimento anterior, mas também sem qualquer justificativa. ''A gente perde a credibilidade numa empresa que não dá explicações aos fornecedores'', disse.
De acordo com José Eduardo, é frequente a especulação sobre cartelização no setor. Segundo ele, o pecuarista fica sem opção diante das exigências do Frigorífico Margem. Na venda de bois para frigoríficos paulistas, os pecuaristas perdem com a elevação da alíquota do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que sobe de 12% nas operações internas para 18% nas operações interestaduais.
Os prejuízos aumentam para os pecuaristas da região sul do Paraná. Ou eles se adaptam às exigências do Margem ou então têm que arcar com os custos de frete na venda de animais para frigoríficos paulistas, disse um pecuarista que não quis se identificar. Ele também concorda com a existência de cartel no setor e na falta de opção ao pecuarista paranaense.
A Folha tentou contato com o Frigorífico Margem, na atual unidade de Maringá, mas não foi atendida.





