Brasília Foi criada ontem a Coffee Sul de Minas, a maior trading de café do mundo, que reunirá 17 cooperativas do sul de Minas e de São Paulo. O objetivo do empreendimento é organizar o setor produtivo para disputar novos mercados e atuar na industrialização e comercialização interna e externa de café, além de cuidar de logística, marketing e aquisição de insumos agrícolas. Para o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que participou da solenidade no ministério, a organização, articulação e integração de outros setores da mesma cadeia produtiva, no caso do café, mostra amadurecimento das cooperativas.
A proposta da trading é comercializar entre 4 milhões e 4,5 milhões de sacas de 60 quilos de café. Desse total, cerca de 25% serão destinados ao mercado externo.
''Sabemos das dificuldades do mercado e a trading não tem a expectativa de resolver os problemas a curto prazo. O importante, neste momento de crise de baixos preços, é que as empresas devem se unir e se fortalecer'', afirmou o presidente da trading, deputado federal Carlos Melles (PFL-MG).
Rodrigues descartou a possibilidade de a nova empresa gerenciar os recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). ''O Funcafé é o patrimônio da cafeicultura brasileira. Não é de um, dois ou três grupos. O fundo será sempre destinado a promover a cafeicultura como um todo'', afirmou. O ministro admite que, se parte dos recursos puder ser utilizada para ajudar o grupo recém-criado, em termos de crédito, o governo poderá avaliar a hipótese. Mas, ressaltou, o patrimônio continuará sendo gerenciado pelo governo.
O orçamento do Funcafé oscila entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,7 bilhões, e cerca de R$ 2 bilhões estão amarrados em dívidas de curto e longo prazos, com pagamento em até 25 anos. Além de recursos financeiros, o patrimônio do fundo é composto por cerca de 5 milhões de sacas, estocadas em armazéns do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC).
O ministro voltou a defender a organização do setor agrícola, com objetivo de agregar valor à produção e disputar melhores fatias de mercado. ''Nesse caminho, o cooperativismo tem poder muito forte, mas somando outros setores da economia é possível avançar'', afirmou. Ele classificou que a união das cooperativas é um avanço, um fenômeno já verificado nos países desenvolvidos.
O Brasil é o maior produtor mundial de café, lembrou Rodrigues, e estudos recentes dão ao País a liderança no ranking de maior competitividade, principalmente na variedade arábica. ''No entanto, temos menos de 1% do mercado mundial de café torrado e moído'', lamentou. Para ele, a saída para o impasse é a união. ''Nesse processo, agrega-se valor com redução de custos fixos'', afirmou.

mockup