Rio de Janeiro - A desaceleração da economia bateu no mercado de trabalho e a criação de postos este ano ficará cerca de 20% abaixo da registrada no ano passado. Tanto os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que levanta o emprego formal e informal nas principais regiões metropolitanas, como do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que abrange o emprego formal no País, indicam tendência de queda de criação de emprego. A análise é de economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da LCA Consultores.
O Ipea não faz projeção de abertura de vagas. Mas um cálculo do especialista do instituto Marcelo Ávila mostra que o total de vagas abertas este ano chegaria a 515 mil, caso o desempenho em novembro e dezembro repetisse o nível do último bimestre de 2004. Neste caso, haveria uma queda de 20,3% na comparação com as 646 mil vagas abertas no ano de 2004.
O próprio economista reconhece, contudo, que esta hipótese pode ser considerada ''acima da normalidade prevista'' porque a economia chegou ao fim do ano passado mais aquecida que este ano. A projeção feita pelo economista da LCA, Fábio Romão, com base nos dados do Caged, vai na mesma direção. Ele estima que o crescimento do emprego formal este ano será de 1,250 milhão de vagas, 18,3% abaixo do 1,530 milhão do ano passado.
Os dois economistas concordam que o crescimento da economia abaixo do esperado brecou uma expansão maior do mercado de trabalho. Romão afirma que o resultado será positivo, mas menor que o de 2004. ''É lógico que poderia ser melhor se a economia mantivesse um ritmo de crescimento maior'', explicou. Na divulgação dos dados do Caged referentes a outubro, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, havia indicado que a criação de vagas poderia ser menor em 2005.
Os números do Caged mostram, nos últimos três meses, retração nos postos de trabalho na agropecuária, crescimento na indústria abaixo do registrado ano passado e uma maior abertura de vagas no setor de serviços.
Segundo o economista da LCA, a evolução mais modesta do emprego industrial reflete problemas como os efeitos do câmbio sobre alguns setores exportadores e a demanda proporcionalmente menor hoje do que no ano passado sobre os bens duráveis, depois do aumento da oferta de crédito. No boletim divulgado ontem, o Ipea aponta que os juros altos e a crise política também afetaram o terceiro trimestre, além dos problemas da agricultura.
Na avaliação do economista do Ipea, a taxa de desemprego deverá fechar o ano abaixo da taxa de outubro (9,6%). De forma geral, estão sendo criadas menos vagas este ano, mas a pressão de pessoas procurando emprego está menor, comparada ao ano anterior. Para 2006, ele acredita em alguma recuperação. Além de maior crescimento projetado para a economia (3,4%), o ano eleitoral tem impactos positivos de contratação.

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