Curitiba - A criação de
empregos formais no Paraná perdeu ritmo no primeiro semestre. Segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, no período janeiro a junho deste ano foram criados 20 mil empregos a menos que igual período do ano passado. A criação de novos empregos caiu de 94.540, no primeiro semestre de 2004, para 74.578, este ano.
A indústria da transformação foi o setor que menos criou novos empregos, caindo de 39.407 no ano passado para 24.606, este ano. A situação mais grave recaiu sobre as indústrias de madeira e mobiliário, que este ano, foi o único setor que demitiu e não criou novos empregos. No primeiro semestre do ano passado, as indústrias de madeira e mobiliário criaram 5.696 empregos e este ano, eliminaram 1.252 empregos, colocações que não foram repostas
Para o chefe da Delegacia Regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, a queda na geração de emprego foi maior nas indústrias exportadoras e nas indústrias vinculadas ao agronegócio. O resultado está refletindo os efeitos da desvalorização do dólar frente ao real e da estiagem ocorrida no início do ano. Serathiuk apontou também o péssimo desempenho da indústria metalúrgica e mecânica com a queda na encomendas de máquinas e equipamentos agrícolas, por causa do problema climático.
Serathiuk disse, no entanto, que não se pode falar em período recessivo porque a criação de empregos no primeiro semeste do ano superou o resultado obtido antes de 2004, que foi considerado o ano de pico na geração de empregos formais de trabalho. Para se ter uma idéia, enquanto este ano foram gerados 74.578 empregos, em 2000 foram criados 44.000 novos empregos.
Já a indústria da Construção Civil, mostrou reação com a criação de 2.345 novos empregos, contra 1.974 empregos criados no ano passado. Serathiuk atribuiu esse desempenho a criação de linhas de crédito imobiliário que dinamizou um pouco o setor. O chefe da DRT está otimista em relação à tendência de criação do emprego no segundo semestre, ''quando tradicionalmente a economia melhora com a proximidade do final de ano'', afirmou.
Para o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), com o real valorizado, o setor de madeira e mobiliário entrou em crise com a queda de receita nas exportações. Segundo o economista, na indústria da construção civil a criação de novos empregos pode não se sustentar porque o setor está muito dependente de crédito, que ainda não atende as necessidades.

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