Brasília, DF- A geração de empregos com carteira assinada totalizou 1,229 milhão no ano passado. O número, que é a diferença entre o total de trabalhadores admitidos e demitidos, é 2% menor que o registrado no ano anterior (1,254 milhão).
Em 2005, o número de vagas formais criadas já havia registrado queda de 17,7% em relação a 2004, melhor ano do governo Lula para o mercado de trabalho.
Apesar da redução no ritmo de criação de empregos formais pelo segundo ano, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) considerou ''razoável'' o desempenho de 2006, mas destacou que poderia ter sido melhor se alguns setores não tivessem sido afetados pela valorização do real frente ao dólar.
''Podemos dizer que foi um ano razoável para a geração de empregos. Eu apostaria em um 2007 melhor, já que temos as medidas que estamos adotando agora (em referência ao Plano para Aceleração do Crescimento)'', disse.
Marinho voltou a criticar a condução da política cambial pelo Banco Central.
De acordo com o ministro, a taxa de câmbio precisa flutuar de modo a favorecer a indústria nacional. ''O ano poderia ter sido melhor se a gente tivesse conseguido ter juro menor e um câmbio ajustado para as necessidades nacionais'', disse.
Com um real valorizado, os produtos brasileiros perdem competitividade no mercado externo e sofrem concorrência com produtos importados. Foi o que aconteceu com setores como o de calçados e têxteis. Com produção menor, houve demissão nas empresas dessas áreas.
Para ele, o atual modelo do BC é ''insuficiente'' ao mirar apenas na meta de inflação. Além disso, o fato de o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ter ficado abaixo da meta de 4,5% -foi de 3,14% no ano passado-, mostra que a política monetária errou a dose na política de corte de juros, que deveria ter sido mais agressiva. ''(A inflação abaixo da meta) significa que os remédios foram muito amargos e isso influenciou no câmbio'', disse.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), nos quatro anos do governo Lula foram gerados 4.651.376 postos de trabalho. O ano passado foi o que teve o pior desempenho, perdendo apenas para 2003 (645.433 novos postos).
O setor de serviços foi o que mais criou vagas nos últimos quatro anos (521.609). Por região, a que mais criou vagas foi a Sudeste (773.048). Esse desempenho foi puxado pela geração de empregos formais em São Paulo (472.627).
Nos programas eleitorais de 2002, o então candidato Lula falava da geração de 10 milhões de empregos. No entanto, de acordo com Marinho, isso nunca foi uma promessa, e sim a quantidade de empregos que seriam necessários para o país. ''Eu desafio qualquer pessoa a encontrar isso no nosso programa de governo'', afirmou. Mas, ressaltou Marinho, o Caged trata apenas de dados relativos ao mercado de emprego formal da iniciativa privada.
Segundo ele, se forem acrescidos também os novos empregos criados no setor público e no mercado informal nos últimos quatro anos, certamente terão sido criados pelo menos 8,5 milhões de novas ocupações. ''Esses dados só poderão ser confirmados quando for divulgada a Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) em setembro ou outubro deste ano'', concluiu Marinho.

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