Curitiba - A desaceleração na criação de empregos e o aumento da produção industrial, marca do primeiro semestre, está avançando nesta segunda metade do ano. No período janeiro a agosto, a indústria do Paraná criou 27,1 mil postos de trabalho, pouco mais da metade dos 50 mil empregos criados no mesmo período do ano passado.
Essa tendência foi confirmada no levantamento do mês de agosto feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que apontou o crescimento de 0,46% no nível de emprego industrial e 10,62% na produção. Foram criadas 2.299 novas vagas, das quais 1.869 no Interior e 430 na Região Metropolitana de Curitiba.
Os setores que mais criaram empregos em agosto foram as indústrias do Vestuário, de Alimentos e Bebidas e a indústria Química e Produtos Veterinários e Farmacêuticos. Já as indústrias de Madeira e do Mobiliário demitiram 400 trabalhadores no mês e a indústria metalúrgica dispensou 92.
Segundo o economista Sandro Silva do Dieese, desde julho deste ano a produção industrial vem enfrentando uma reversão de tendências. O Paraná que vinha com crescimento da indústria de dezembro de 2002 a junho de 2005, começou a ter redução na atividade a partir de julho. O economista prevê que este ano, a exemplo dos empregos, o Paraná deverá reduzir pela metade o crescimento indústrial verificado no ano passado.
Para Silva, apesar da queda de consumo no mercado interno, o fato é que muitas indústrias que vinham registrando crescimento no emprego e na produção como as do setor de transformação, que estão operando no limite. Não há muitas perspectivas de crescimento e consequentemente não deverá haver aumento do emprego.
Ele citou como exemplo as indústrias do pólo automotivo da RMC que criaram muitos empregos no ano passado para atenderem o aumento da demanda nos mercados interno e externo e agora dependem de variáveis como reajuste do câmbio e aceitação de produtos no mercado interno para expansão.
Um dos destaques positivos que moveu o aumento da produção agroindustrial em agosto pode não se repetir. As indústrias abatedoras de carnes impulsinaram o crescimento de 52,36% nos empregos criados pelo setor no período janeiro a agosto. Atualmente elas são responsáveis por 42% do total dos empregos gerados pela agroindústria. Com o surto de aftosa registrado no estado vizinho de Mato Grosso do Sul, os frigoríficos no Paraná estão sendo afetados. Diante disso, o Dieese está prevendo uma desaceleração na produção.

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