São Paulo - Taxas de juros reduzidas e câmbio competitivo e estável compõem a receita reiterada ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) para a retomada do crescimento da economia nos padrões históricos sustentados até a década de 80.
O Iedi acredita que o caminho para este crescimento passa necessariamente pela predominância de juros muito baixos, como afirmou o diretor-executivo da entidade, Júlio Gomes de Almeida, na apresentação de um estudo sobre o tema. Os países emergentes que conseguiram manter períodos prolongados de crescimento nas duas últimas décadas, de acordo com o estudo, combinaram juros reduzidos com desvalorização de suas moedas para tornar suas exportações competitivas. Esse ambiente traduziu-se também em desenvolvimento social nos exemplos citados, particularmente na Irlanda e na Coréia.
No caso brasileiro, as taxas de crescimento consideradas medíocres após os anos 80, quando se acentua o processo de globalização da economia, são caracterizadas como fruto de altas taxas de juros combinadas com a valorização do câmbio.
A receita indicada pelo Iedi para a economia passa, finalmente, pela acumulação de reservas internacionais elevadas, a geração de saldos comerciais e um resultado superavitário até mesmo em transações correntes. O câmbio em torno de R$ 3,50 a R$ 3,60 foi considerado o mais adequado para o caso brasileiro. O diretor-executivo do Iedi argumentou que esse perfil de política econômica não significa negligenciar o nível de inflação, mas apenas não fazer do controle de preços a única meta a ser perseguida pela política econômica.
A adoção de políticas de estímulo a setores industriais específicos não conta com o entusiasmo irrestrito do Iedi. A avaliação de Ivoncy Ioschpe, presidente da entidade, com relação à redução do IPI para a indústria automobilística, anunciada anteontem pelo governo federal, é de que a medida ''não vai resolver o problema da economia brasileira''. Ioschpe creditou a decisão muito mais a uma motivação política do presidente Luis Inácio Lula da Silva, cuja base partidária tem como origem justamente a área de produção da indústria de automóveis.

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