Crescimento virá apenas no quarto trimestre
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília O Ministério da Fazenda prevê a retomada do crescimento econômico a partir do último trimestre do ano. E, segundo o Boletim de Conjuntura Econômica, divulgado ontem, a economia pode crescer em 2004 mais que os 3,5% esperados até agora pelo governo. A previsão para o ano que vem, no entanto, reflete a forte desaceleração da atividade econômica ocorrida neste ano, que vai representar uma base de comparação deprimida.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, afirmou que esse tipo de efeito estatístico já foi registrado neste ano. ''No ano passado, houve um começo de ano bastante acelerado, depois da crise do apagão de 2002'', observou. ''Mas, em seguida, veio uma desaceleração muito rápida na economia.'' Com isso, disse, cerca de 1% do crescimento registrado este ano vem da base deprimida do ano passado. Por causa desse efeito, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pode até mesmo superar a expectativa do Banco Central, de 1,5% a 1,8%, chegando até 2%, disse Lisboa.
O secretário não quis prever exatamente quando começará uma recuperação sensível da atividade econômica. ''Há um cenário de incerteza muito grande na economia internacional e a recuperação pode ser mais rápida ou mais lenta em função disso'', argumentou. ''Mas há certo consenso entre analistas sobre a recuperação da atividade no fim do terceiro trimestre e ao longo do quarto.''
Segundo Lisboa, a queda da inflação, que ocorreu de forma mais rápida do que a prevista, pode contribuir para acelerar também a recuperação do nível de atividade. Ele discordou da avaliação de que a deflação verificada agora seria um indicador de que o Banco Central apertou demais a política monetária nos últimos meses.
''Essa deflação tem um movimento que não é de inflação, mas é de mudança de preços relativos, decorrente da valorização cambial'', ponderou. ''É importante separar o que aconteceu de fato com os preços livres do que está acontecendo com os bens comercializáveis.'' Lisboa também destacou como fator positivo o fato de as empresas estarem retomando a capacidade de obter financiamento externo. Mas observou que, para garantir um crescimento sustentado, o Brasil precisa aumentar o nível histórico de investimento em bens de capital e de longo prazo.
''O investimento de longo prazo, que tem sido de cerca de 20% do PIB nas duas últimas décadas, tem de aumentar para 24%'', como nas demais economias emergentes, até o fim do atual governo, disse.
Segundo o Boletim de Conjuntura, a trajetória de queda dos juros futuros deve estimular a oferta de crédito no segundo semestre. ''As taxas de juros de longo prazo são fundamentais para a definição das taxas de juros prefixadas utilizadas no financiamento de bens duráveis e crédito pessoal. Sua evolução, referendada pela queda da taxa básica de juros em junho, sinaliza um crescimento das novas concessões de crédito no segundo semestre.''
Além disso, de acordo com o documento, o crédito externo também vem melhorando. As concessões de Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC), mecanismo usado no financiamento de exportações, cresceram 5,11% em maio, ante maio de 2002. Com isso, o boletim prevê que as exportações podem fechar o ano com um crescimento de 18% em relação a 2002.
Esse cálculo considera dados dessazonalizados, ou seja, expurgados de variações que se repetem em determinados períodos. Não são comparáveis, portanto, à meta de alta de 10%, feita pelo Ministério do Desenvolvimento.


