2008 foi o ano de ouro da construção civil em Londrina. O período favoreceu o setor – que soube aproveitar o momento do escesso de crédito e o aumento do emprego e da renda – com inúmeros lançamentos imobiliários tanto residenciais como comerciais. A construção apresentou crescimento de 7% neste ano. No Paraná o panorama não foi diferente com um avanço de 12% neste ano com relação a 2007. ‘‘Nos últimos dois anos tivemos um crescimento sustentável. Aliás, não tínhamos um aquecimento destes há 20 anos’’, afirma Edvaldo Pires Corrêa, coordenador estadual do Programa de Construção Civil do Sebrae-PR.
  Segundo ele neste ano foram liberados R$ 942 milhões para o crédito imobiliário e foram construídas 11 mil unidades em todo o Estado. Só para se ter uma idéia, em 2006 haviam sido edificadas 6 mil unidades. O setor gerou cerca de 18 mil novos empregos, dos quais metade foram em Curitiba. Dados da Diretoria de Operações da Secretaria de Obras de Londrina mostram que até meados deste mês haviam sido liberados para construção 1.256.103,71 metros quadrados, o que dá uma média mensal de 66.661,20 metros quadrados por mês. Neste período foram aprovados 2.980 projetos.
  No ano passado inteiro foram liberadas a construção de 666 mil metros quadrados. ‘‘Este foi o ano de ouro da construção civil tanto na geração de empregos, em metros quadrados construídos e no lançamento de obras públicas e particulares’’, afirma Osmar Ceolin Alves, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon). Segundo ele crescimento semelhante só havia ocorrido na década de 70, enquanto as décadas de 80 e 90 ficaram praticamente paradas em número de obras.
  Segundo Alves, desde setembro – quando foi deflagrada a crise financeira global – o setor sentiu uma desaceleração. Como o setor é muito suscetível às taxas de juros e liberação de crédito para financiamentos, ele comenta que o governo federal já lançou medidas para estimular o setor com a liberação de mais recursos e queda nas taxas de juros e está preparando um novo pacote habitacional que irá movimentar toda a cadeia da construção civil.
  Para o próximo ano a expectativa é manter o nível de crescimento, porém em índices mais baixos: entre 4% e 5%. ‘‘O setor deve crescer a passos mais curtos, cerca de 3%. As obras vão continuar, mas os números de lançamentos vão diminuir’’, comenta Edvaldo Corrêa, do Sebrae.
  Já em fevereiro o Sinduscon Norte também pretende investir na capacitação da mão-de-obra, inclusive, para mulheres. A intenção é treinar as trabalhadoras para exercer funções como azulejistas, pintoras, obras de acabamento e até para pedreiras. Neste caso também será feita adaptação nos canteiros de obras. (F.M.)

mockup