Brasília - Só a recuperação do mercado interno fará com que a economia brasileira continue crescendo a mais de 4% ao ano em 2005, em um cenário de maior dificuldade para a expansão das exportações, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Analistas no mundo inteiro têm discutido nos últimos dias a possibilidade de desquecimento na economia mundial no próximo ano, o que afertará o comércio exterior. O efeito no Brasil ainda é desconhecido, mas uma coisa é quase certa: no melhor das hipóteses, as exportações do Brasil se manterão no mesmo nível deste ano. E, por isso, precisam ser compensadas com maior volume de produção para consumo dos próprios brasileiros.
''O grande momento que vivemos é a substituição da força das exportações pela demanda doméstica. Os números mostram que existe uma recuperação da renda e do emprego, nada muito forte, mas constante, o que deve ajudar na expansão do consumo privado'', diz o economista Renato da Fonseca, assessor da CNI.
Segundo ele, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem dependido quase exclusivamente do setor externo. As exportações deste ano, por exemplo, devem crescer 33%, chegando a US$ 93 bilhões. No ano que vem, esse ritmo não terá como ser mantido e, nesse caso, o PIB só crescerá os mesmos 4,3% previstos para este ano se os investimentos e o consumo privado aumentarem mais do que em 2004.
Para o Ministério do Planejamento, o mercado interno não compete com o setor exportador; ao contrário, é complementar e pode ajudar o País a se ajustar a uma eventual retração econômica no resto do mundo sem precisar pisar no freio da produção. No limite, avalia a equipe do ministro Guido Mantega, produtos que perderem mercado no exterior poderão encontrar demanda dentro do próprio Brasil, como é o caso do aço.
Um dos cenários projetados para o desaquecimento global é que o Brasil poderia passar em 2005 de um superávit em transações correntes (a diferença entre o que entra e sai de recursos estrangeiros) de US$ 10 bilhões para uma situação de equilíbrio, próximo a zero, devido tanto à acomodação das exportações quanto ao aumento das importações. Na prática, isso significa que o mercado interno absorveria, para consumo e investimentos, cerca de R$ 30 bilhões.

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