Crescimento oferece risco, diz jornal
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segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Vinicius Albuquerque<br> Folhapress 
São Paulo - Segundo a edição de ontem do jornal britânico Financial Times (FT), a ''decrépita infra-estrutura'' do Brasil pode ''entrar em colapso, como em 2001'' e causar outro apagão no País, se não acompanhar o crescimento previsto para 2004,
Entre 2000 e 2001, época do racionamento de energia a economia brasileira também apresentava taxas de crescimento superiores a 4,5% ao ano, diz o diário britânico. O FT lembra que ''há no mercado o consenso de que o Produto Interno Bruto crescerá mais de 4,5%, algo bem acima da meta governamental de 3,5%, estabelecida no início do ano''.
''O setor elétrico precisa de investimentos de R$ 20 bilhões (US$ 7 bilhões) ao ano durante os próximos dez anos para acompanhar a demanda'', diz o jornal britânico, citando pesquisa da consultoria Tendências.
O governo, no entanto, tem apenas um terço deste valor para bancar o investimento, diz o ''FT''. Junto a investidores estrangeiros ''dificilmente'' será possível o restante, segundo o jornal inglês, já que muitos deles ''se arrependem de terem investido pesadamente no Brasil no final dos anos 90''. ''A conclusão poderia ser que as luzes comecem a se apagar em breve.''
O ''FT'' lembra que uma esperança para o setor é o interesse que vem sendo mostrado por fundos de pensão. ''É exatamente de instituições desse tipo, nas quais tanto os compromissos quanto as necessidades de bens são regidos por metas de longo prazo, que se esperam investimentos para o setor'', diz o jornal.
Além do setor elétrico, o de transporte é um dos que também precisa de investimentos. A capacidade de transporte de cargas aos portos no sul do País deve cair em 20 milhões de toneladas. ''O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior diz que, até 2007, o sistema precisará ser ampliado para transportar um adicional de 200 milhões de toneladas'', segundo o ''FT''.
O jornal lembra que a implementação das Parcerias Público-Privadas (PPPs) pode alavancar o interesse dos investidores estrangeiros, mas que ''o potencial dessas parcerias permanece incerto'', devido aos desacertos na regulamentação, como a incerteza quanto a índices de reajuste.
As ''intenções'' do governo também preocupam, diz o ''FT''. O PT, ''um partido outrora marcado por um ativismo de esquerda'', ainda desperta suspeitas em alguns investidores, segundo o jornal.


