Crescimento menor e inflação controlada
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segunda-feira, 30 de março de 2009
Eduardo Cucolo<br> Folhapress 
Brasília - O Banco Central revisou para baixo a previsão de crescimento da economia em 2009. Em dezembro, a instituição previa uma expansão de 3,2%. Agora, a estimativa caiu para 1,2%, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo BC. De acordo com o BC, a desaceleração da economia também vai reduzir as pressões sobre a inflação, que deve ficar em 4%, o que abre mais espaço para a queda dos juros.
Há duas semanas, o governo também revisou a previsão de crescimento que consta no Orçamento deste ano de 3,5% para 2%. Na semana passada, a CNI Confederação Nacional da Indústria (CNI), reduziu sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no período (PIB) para zero.
As revisões para baixo do crescimento da economia em 2009 ganharam força depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do PIB no final de 2008. Houve uma queda de 3,6% no quarto trimestre -quando houve o impacto mais forte da crise econômica - em relação ao trimestre anterior.
Essa alteração reflete, em parte, a queda da atividade econômica no último trimestre de 2008, mais intensa do que se antecipava; além dos sinais de que a recuperação ocorrerá de forma gradual ao longo do ano, diz o BC no relatório.
Já o mercado financeiro prevê crescimento zero, de acordo com a pesquisa Focus realizada pelo BC com bancos e empresas. A queda no PIB brasileiro no quarto trimestre já levou o BC a acelerar a política de redução na taxa básica de juros (Selic). Nas duas primeiras reuniões do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) deste ano, os juros caíram de 13,75% ao ano para 11,25% ao ano.
As perspectivas para este ano são ruins para toda a economia mundial. O Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, prevê que o PIB mundial registrará este ano sua primeira contração em 60 anos, ficando entre -0,5% e -1%. Para o Brasil, o Fundo prevê crescimento de 1,8%.
Já a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDC), grupo integrado pelas 30 nações mais industrializadas do mundo, estima que os países membros terão uma queda do PIB de 4,2%.
Setores
De acordo com o BC, a agropecuária deve registrar um resultado negativo de 0,1% em 2009, ante aumento de 2,2% na projeção anterior.
A produção da indústria deverá crescer 0,1%, ante 3,4% na projeção anterior. Dentro desse setor, a indústria extrativa mineral deverá crescer 2,4% (ante 5,2% na projeção anterior); a indústria de transformação deverá registrar redução de 1,6% (ante expansão de 3,1% projetada no relatório anterior).
O crescimento da construção civil é estimado em 2,7%, recuando 1,6 ponto percentual em relação ao projetado anteriormente. A estimativa de expansão para o setor de serviços foi revista de 3,1% para 1,7%.
Inflação
Em relação à inflação, o BC também revisou suas estimativas para baixo. De acordo com o relatório, a previsão para o índice oficial de preços (IPCA) em 2009, que serve como meta para o BC, caiu de 4,7% para 4%. Para 2010, a previsão passou de 4,2% para 4%. As duas previsões estão abaixo do centro da meta para os dois anos, de 4,5%. O índice também pode variar entre 2,5% e 6,5%, dentro da margem de dois pontos de tolerância.


