São Paulo - A economia está gradualmente retornando à normalidade e recuperando sua trajetória de crescimento abalada pelas dificuldades de 2001, mas ainda há limitações. A conclusão é do Informe Conjuntural da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem.
A CNI acredita que este ano o crescimento ainda será moderado e dependente da trajetória de queda nos juros. ‘‘Mesmo em um cenário muito favorável, não ultrapassará 3%’’, afirma o documento.
A principal restrição à retomada é a estagnação e até mesmo queda do rendimento médio real das famílias, cujo consumo responde por 60% da demanda agregada. A situação do consumo é resultado do mercado de trabalho, que passou por desaquecimento no ano passado, ainda não revertido.
A solução, de acordo com os analistas da CNI, é a retomada dos investimentos privados em novos projetos, o que leva a decisões de contratação.
O relatório também analisa o impacto da crise no Oriente Médio sobre a recuperação da economia por conta das altas sucessivas nos preços do petróleo. ‘‘A permanência de um quadro beligerante tende a pressionar os preços, com impactos sobre a inflação. Ainda que não suficiente para reverter a trajetória de recuperação, pode atenuá-la’’, afirma a CNI.
De qualquer forma, a CNI afirma que a principal razão para a recuperação das expectativas está na capacidade do País em se descolar dos problemas da Argentina. ‘‘A manutenção do fluxo de investimentos externos nos últimos meses consolidou este processo de diferenciação e permitiu a queda no prêmio de risco-país para 700 pontos’’, ressalta a análise.
Como resultado desse quadro mais positivo, afastou-se o risco quanto ao financiamento das contas externas em 2002, reduziu-se a taxa de juros e eliminou-se o risco de pressão inflacionária. Somou-se a esse cenário a retomada mais rápida e intensa da economia dos Estados Unidos.

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