São Paulo O governo Lula deve reconhecer que o crescimento econômico será irrelevante em 2003 e aproveitar o momento para, usando o seu peso político, avançar com as reformas estruturais, se possível de maneira articulada. Dessa maneira, acredita o diretor do Centro de Economia Mundial da FGV-RJ, Carlos Geraldo Langoni, o governo estaria consolidando alguns fundamentos que ajudariam a economia doméstica a ''surfar'' numa onda de recuperação da economia global que deve tomar forma a partir do próximo ano.
''O início do governo Lula ocorre num momento difícil. O crescimento este ano vai ser medíocre de novo, principalmente se houver a guerra no Iraque'', afirmou Langoni. ''Essa guerra poderia funcionar inclusive como uma catalisador para um avanço mais rápido das reformas junto ao Congresso.''
A principal destas reformas seria a da Previdência, que, acredita Langoni, teria ganhos significativos se acompanhada das reformas tributária e trabalhista. ''Essa reforma é fundamental para alavancar o aumento da poupança doméstica, hoje em pífios 18% do PIB, e para convivermos com uma taxa de poupança externa da ordem de 1,5% do PIB, que é uma taxa média sustentável para o País'', avalia o diretor da FGV.
Se não for possível aprovar as demais reformas integralmente, o economista defende que sejam pelo menos sancionados os itens tributários e trabalhistas diretamente ligados à Previdência, como a redução gradual sobre os encargos da folha salarial e o incentivo à previdência complementar. Langoni sugere, por exemplo, que uma redução dos encargos poderia vir acompanhada da criação de um ''bônus'' para a previdência complementar a partir das contribuições.
''Isso traria um impacto muito maior para a reforma da Previdência do que se aprovada isoladamente. E o momento para fazê-lo é este. O Brasil não pode se dar ao luxo de não avançar nessas áreas'', defende.