Rio de Janeiro - O crescimento para os próximos dois ou três anos está assegurado, segundo análises feitas ontem separadamente tanto pelo ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da consultoria Tendências, quanto pelo economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Eustáquio Reis. ''Talvez um dos aspectos mais alvissareiros dessa expansão seja o fato de ter vindo acompanhada de aumento do investimento'', diz Eustáquio. Esse investimento produtivo faz o crescimento econômico ser sustentável nos próximos três anos, acredita. ''A dúvida é se vai ter investimento em infra-estrutura, principalmente no setor de energia, onde o marco regulatório é muito estatizante, mas isso só nos afetaria a partir de 2007'', completa Mailson.
''O crescimento agora é para valer, tem tudo para se sustentar por pelo menos dois anos e parece ser mais forte do que esperávamos'', diz Mailson. A recuperação que está ocorrendo, disse, pode levar a expansão econômica deste ano a ser superior a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), número previsto pela Tendências no início do ano e que ''é quase certo que seja revisto''.
Mailson diz que a Tendências já considera que a produção industrial em junho, a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês que vem, pode ter crescido 10% ou mais sobre o mesmo mês do ano passado.
Os comentários foram feitos sobre dados do IBGE que mostram crescimento de 21,8% da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) da média de janeiro a maio do ano passado para o mesmo período deste ano, atingindo um nível próximo ao recorde histórico de 1995. Além disso, houve aumento de 7,1% na quantidade de importações desse tipo de produto na mesma comparação.
Divergência - Apesar disso, a avaliação de que está havendo investimento em capacidade produtiva não é unânime. O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio Gomes de Almeida, considera que ''a recuperação de investimentos é marginal''. O crescimento da produção de bens de capital, para ele, ''reflete o boom exportador do setor'' e o aumento da participação do produto nacional nas vendas internas. O economista da Fundação Getúlio Vargas Aloísio Campelo Júnior, por sua vez, considera que, ''pela magnitude'' do aumento de produção e de importações, ''é muito difícil que isso se explique só por exportação e agronegócio''.

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