Crescimento em 2003 será moderado
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quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília A continuidade da crise na economia mundial e a perspectiva de uma inflação mais alta em 2003 devem tornar o primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva parecido com aqueles menos brilhantes do governo Fernando Henrique Cardoso. As projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano que vem estão entre 2% e 2,5%, nas contas da área econômica do governo. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é estimada em 6%. Em compensação, as contas externas do País tendem a continuar bem. Espera-se um superávit comercial próximo de US$ 15 bilhões em 2003, superior aos US$ 11 bilhões projetados para este ano.
Esse é o cenário econômico que será discutido com a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que deverá chegar ao País em meados de novembro. O objetivo principal da missão é analisar o cumprimento das metas fixadas para o terceiro trimestre deste ano. Porém, serão também analisadas as perspectivas para a economia brasileira em 2003. Será, também, a primeira rodada de discussões com o Fundo a contar com a participação de integrantes do futuro governo.
Após essa avaliação, o Brasil terá direito a uma nova parcela de aproximadamente US$ 3 bilhões do empréstimo de US$ 30 bilhões concedido pelo organismo ao País. O dinheiro deverá ser liberado em meados de dezembro, o que significa que, provavelmente, ficará no caixa para a próxima administração. O que os economistas do governo estão esperando para 2003 é um cenário de volta à normalidade. Em comparação com 2002, é uma melhora significativa.
A taxa de crescimento do PIB para este ano está, nas contas do governo, variando entre 1% e 1,3%. Esse foi o crescimento possível num ano em que a crise da economia mundial já teria sido problema suficiente mas, como se não bastasse, o País ainda foi sacudido por um processo eleitoral tão nervoso que, já em abril, começou a causar estragos na economia. Passada a eleição, os técnicos apostam na gradual volta das engrenagens econômicas ao seu eixo. A rapidez com que isso acontecerá vai depender do sucesso da nova equipe de governo em convencer os agentes econômicos de que manterá uma política econômica responsável, o que pode ser resumido em dois pontos: manutenção do câmbio flutuante e continuidade da austeridade fiscal. Com isso, acreditam os técnicos do governo, aos poucos serão eliminados os constrangimentos ao crescimento econômico.
No entanto, as turbulências de 2002 deixarão uma herança inflacionária para 2003 que tornará mais difícil o reaquecimento da atividade econômica. Além disso, a crise da economia mundial não dá mostras de que se reduzirá no ano que vem. Portanto, a tendência é que o crédito e o investimento externos ao Brasil continuem modestos. Por isso, acreditam os técnicos, o Brasil, em 2003, terá condições de expandir o PIB a taxas de 3,5% a 4% ao ano. Esse foi o nível registrado em 2000, um ano em que não houve grandes choques econômicos, nem externos, nem internos.


