Crescimento econômico e demanda interna pressionam inflação
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segunda-feira, 05 de abril de 2010
Andréa Bertoldicom agências<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O mercado financeiro voltou a elevar a previsão para a inflação no País a ser apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010. De acordo com a pesquisa semanal Focus, divulgada ontem pelo Banco Central (BC), a expectativa para o índice do ano subiu de 5,16% para 5,18%, se distanciando ainda mais do centro da meta do governo para a inflação no ano, que é de 4,50%.
Ontem, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Econômico e Social (Ipardes) divulgou que a inflação de março em Curitiba (Índice de Preços ao Consumidor-IPC) fechou em +0,58% contra 0,42% em fevereiro. Só no primeiro trimestre do ano, o IPC teve alta de 1,22%, o maior índice para o período de janeiro a março desde 2006.
Em 2009, o índice tinha encerrado com +3,88%, o menor percentual dos últimos 11 anos. Nos últimos 12 meses terminados em março, o IPC de Curitiba já atingiu 4,54%. O chefe do núcleo de pesquisas periódicas do Ipardes, Gino Schlesinger, acredita que a inflação seja mais alta em 2010 em relação ao ano passado. Entre os principais motivos estão a pressão do crescimento econômico e da demanda interna.
Em março, o grupo de alimentos e bebidas foi o que mais pressionou o IPC com alta de 2,25%. De janeiro a março, esses produtos já acumulam uma alta de 5,01%. No mês passado, os maiores aumentos ocorreram no leite (+8,94%) e no tomate (+75,15%). Os produtos que caíram significativamente foram o álcool combustível (-18,8%) e a gasolina (-6,6%). Com a redução do álcool, para quem tem carro flex, vale a pena usar este combustível.
Schlesinger explicou que 0,44 pontos percentuais da alta do IPC de março foram devido aos alimentos e bebidas. O peso é grande porque a alimentação representa cerca de 20% dos gastos das famílias.
Ele acredita que o Banco Central deve elevar a taxa de juros para conter a inflação. Ainda segundo Schlesinger, o consumidor que tem a renda mais baixa sente mais as taxas inflacionárias nos alimentos, por gastar proporcionalmente mais nestes produtos do que as pessoas que possuem renda maior.
A expectativa dele é que a taxa de inflação de abril fique no mesmo nível de abril de 2009 quando encerrou em 0,78%. Ele acredita que neste mês, os alimentos não devem pressionar tanto porque já subiram muito. Por outro lado, a diminuição de preços de álcool e gasolina não deve se repetir.
IPCA
O supervisor técnico e economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, acredita que a expectativa do Banco Central de alta da inflação no Brasil está muito ''contaminada'' com os resultados de janeiro e fevereiro.
Em janeiro, o IPCA, no País, ficou em +0,75% e, em fevereiro, em +0,78%. Nos dois meses, acumulou alta de 1,54%, índice responsável por 30% da inflação do ano. Segundo ele, essa elevação foi provocada por fatores sazonais como o impacto da chuva sobre o preço de hortaliças e verduras (+21%), o aumento da tarifa de ônibus em algumas capitais (+6,5%), do álcool combustível (+15%), do açúcar refinado (+18%) e das mensalidades escolares (+7%). Ele acredita que de março a novembro, a inflação do País fique em uma média mensal de 0,35%.
Para o diretor da empresa de gestão de recursos Infinity Asset Management, André Paes, o Banco Central deve começar a subir os juros para combater a expectativa inflacionária, a principal consequência para o consumidor final.


