Brasília - Os números mais recentes sobre o comportamento da economia, divulgados quarta-fiera pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levaram o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a abandonar sua conhecida atitude cautelosa e comedida. Sem esconder a euforia, Palocci disse ontem, durante palestra no Fórum Especial do Instituto Nacional de Altos Estudos, que o Brasil está vivendo ''um dos mais robustos ciclos de crescimento das últimas décadas''. Mas não parou nessa avaliação. Ele afirmou que os indicadores sobre a vulnerabilidade externa do País e sobre a solidez das contas públicas ''são os melhores dos últimos 20 anos''.
Na avaliação do ministro, o mais importante a ser observado nos dados divulgados pelo IBGE é que os investimentos estão crescendo num ritmo mais forte do que a atividade econômica como um todo. Palocci disse que esse dado assegura um crescimento sustentado da economia brasileira. Ele chegou a falar que o Brasil ingressou ''num ciclo de desenvolvimento duradouro''. Para o ministro, o melhor é que o atual crescimento vem acompanhado do aumento do nível de emprego formal. Nos últimos dois anos, segundo informou, o País criou cerca de 3 milhões de empregos com carteira assinada.
Palocci citou uma série de números que mostram a situação excepcional vivida pelo País. A dívida externa líquida, segundo o ministro, já chegou a representar três vezes o valor das exportações. Hoje, ela equivale a 30%, informou. As vendas externas passaram de US$ 60 bilhões em 2002 para US$ 110 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses. O saldo comercial, que era de US$ 13 bilhões há dois anos e meio, hoje está em torno de US$ 40 bilhões, no acumulado de 12 meses. Ele atribuiu esse forte crescimento das exportações ao sistema de câmbio flutuante.
Na área interna, Palocci destacou a queda da participação da dívida indexada ao dólar no total do endividamento público brasileiro. ''A sensibilidade da dívida ao câmbio foi reduzida em 5 vezes'', disse. O ministro observou que, agora, o desafio é reduzir a participação dos títulos indexados à taxa Selic e melhorar os prazos dos papéis. Palocci afirmou que a inflação, que chegou a 17% ao ano ao final de 2002, está sob agora sob controle. Segundo ele, o mercado já projeta taxas de inflação para 2005 próximas do objetivo de 5,1% perseguido pelo Banco Central. Para o ministro, esse sucesso decorre da ''firme política monetária'' adotada pelo BC.
O ministro considera que o País deve agora enfrentar o déficit da Previdência Social, que apresentou forte crescimento nos últimos anos. Além disso, Palocci observou que é fundamental estabilizar os gastos correntes do governo em 17% do Produto Interno Bruto (PIB). ''Só assim serão criadas condições para a desoneração tributária dos investimentos, para realizar maiores investimentos e para uma maior poupança, quando isso for necessário'', afirmou. ''Hoje, temos mais clareza sobre a política e os ajustes necessários para o crescimento.'' Mais uma vez, Palocci pediu que a crise política não paralise os trabalhos no Congresso.

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