Agência Estado
De São Paulo
Depois de passar a semana inteira operando ‘‘de lado’’, o mercado de renda fixa esquentou os ânimos no final da tarde desta sexta-feira e, com isso, subiram as taxas projetadas pelos contratos futuros na BM&F, sobretudo nos mais longos. O motivo é volatilidade dos mercados em Wall Street em meio à preocupação com o destino dos juros norte-americanos. Tais preocupações ganharam combustível ontem com a divulgação de um crescimento acima do estimado, de 5,8%, para o PIB no último trimestre do ano passado, o que confirma o ritmo acelerado de expansão da economia dos EUA e alimenta a tese da necessidade da elevação do juro além do 0,25 ponto percentual esperado.
Contaminado pelo nervosismo de Wall Street, o mercado doméstico de juro futuro elevou suas projeções, principalmente nos contratos de prazos mais longos e as taxas, na BM&F, fecharam a 1,443% para janeiro (de 1,444% anteontem).
Os contínuos sinais de vigor da economia norte-americana estão assustando os investidores, sobretudo porque começou a contagem regressiva para a reunião do comitê de mercado aberto do Federal Reserve. Ontem foram divulgados dois dados preocupantes: o PIB dos Estados Unidos cresceu nada menos que 5,8% no último trimestre de 1999, ante uma expectativa de alta de 5,2%, e o índice do custo de mão-de-obra subiu 1,1%, enquanto analistas esperavam 0,9%.
A Bolsa de Nova York começou a operar já sob o impacto destes números e chegou a cair 234,40 pontos, ou 2,13%, na mínima do dia. Neste clima, o Ibovespa não teve como se sustentar. Depois de ter subido até 1% antes de Wall Street abrir, a Bolsa de Valores de São Paulo engatou marcha a ré e fechou em queda de 2,03%.
O dólar manteve-se em alta e voltou a ser negociado a R$ 1,80 ontem, quando atingiu a máxima cotação do dia. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana registrava valorização de 1,07%, cotada a R$ 1,7990.
‘‘O dólar colocou um fim naquela onda de baixa que teve início nos primeiros dias deste mês, encontrou um piso pouco acima de R$ 1,75 e agora vem enfrentando um movimento de alta, mas sem causar nervosismo ao mercado’’, comentou um operador. ‘‘O dólar não tem tanto espaço para cair, já que o governo não tem interesse em um real muito valorizado’’, completou o operador. Ele ressalta, porém, que o maior impacto no dólar ontem foi causado por temores sobre o resultado da reunião do Fed na próxima semana.
(Marcia Pinheiro, Mario Rocha e Liliana Hage)